Abel Ferreira, do Palmeiras, é sincero e rebate decisão da CBF

1 nov 2026 - 20h52
Resumo
O técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, criticou a decisão da CBF de reduzir gradualmente o limite de jogadores estrangeiros no Brasileirão de nove para cinco até 2030, além de exigir mais vagas para atletas sub-23. Divergindo da diretoria do seu próprio clube, que apoiou a medida, o treinador defendeu que a entidade deveria criar incentivos diretos para a escalação de jovens em vez de impor restrições a profissionais de outros países, visando conter o envelhecimento dos elencos nacionais.

O técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, manifestou insatisfação com a decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de reduzir gradualmente o número de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados para partidas do Campeonato Brasileiro. O treinador português questionou a estratégia adotada pela entidade e defendeu a criação de mecanismos que incentivem a utilização de jovens atletas, em vez de restringir a presença de profissionais de outras nacionalidades.

Foto: Cesar Greco/Palmeiras / Gávea News

A mudança foi aprovada em setembro, durante uma reunião entre a CBF e representantes dos clubes das Séries A e B. Atualmente, as equipes podem relacionar até nove estrangeiros por partida, mas esse limite será reduzido progressivamente. Em 2027, serão permitidos oito jogadores, número que cairá para sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. A decisão recebeu o apoio da maioria dos clubes, incluindo o Palmeiras, enquanto Flamengo e Bahia votaram contra a proposta.

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Ao comentar o assunto, Abel Ferreira demonstrou discordância da medida e apresentou uma alternativa para ampliar as oportunidades dos jogadores brasileiros. Na avaliação do treinador, estabelecer exigências relacionadas à presença de jovens atletas seria uma maneira mais eficiente de estimular o desenvolvimento do futebol nacional.

"Mais do que proibir estrangeiros, que não gosto dessa lei, é obrigar a ter jogadores jovens no time. O ideal não é proibir estrangeiro, mas sim usar uma medida positiva para os jovens", afirmou Abel Ferreira.

A declaração apresenta uma diferença em relação ao posicionamento institucional do Palmeiras, que apoiou a redução de estrangeiros. O clube paulista contava com oito jogadores de outras nacionalidades em seu elenco quando participou da votação. A diretoria também avaliava a possibilidade de alguns atletas obterem cidadania brasileira, situação que poderia facilitar a adequação às novas regras nos próximos anos.

Além de alterar o limite de estrangeiros, a CBF aprovou mudanças relacionadas à inscrição de jovens jogadores. A partir de 2027, os clubes deverão reservar pelo menos 20 das 50 vagas disponíveis para atletas sub-23, quantidade que aumentará gradualmente até chegar a 25 em 2030. A exigência, contudo, está relacionada à composição das listas de inscrição e não determina que esses jogadores sejam obrigatoriamente utilizados durante as partidas.

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A decisão foi fundamentada em um levantamento realizado pela própria confederação sobre o perfil dos atletas que disputam o Campeonato Brasileiro. Segundo os dados apresentados, a idade média dos jogadores da Série A passou de 27,3 anos, em 2021, para 28,5 anos, em 2026. O índice supera os números registrados nas cinco principais ligas europeias analisadas pela entidade, incluindo a França, com média de 26 anos, e a Espanha, com 27.

Outro indicador utilizado pela CBF mostra uma redução significativa na participação dos jovens brasileiros. Em 2020, atletas nacionais com menos de 23 anos foram responsáveis por 28,3% dos minutos disputados na primeira divisão. Em 2026, esse percentual caiu para 11,5%. No mesmo período, a participação de estrangeiros com mais de 23 anos aumentou de 7,8% para 25%, evidenciando uma mudança no perfil dos jogadores utilizados pelos clubes.

Considerando brasileiros e estrangeiros, os atletas sub-23 participaram de apenas 13,8% dos minutos disputados no Brasileirão de 2026, percentual inferior aos 38% registrados no Campeonato Francês. A comparação foi apresentada pela CBF como parte dos argumentos para modificar as regras, especialmente diante da diferença de oportunidades oferecidas aos jogadores em início de carreira.

O levantamento também abordou a importância econômica das categorias de base. Entre 2016 e 2025, jogadores de até 20 anos representaram 50,1% das receitas obtidas pelos clubes brasileiros com transferências internacionais. Apesar da participação expressiva nas negociações, esses atletas passaram a encontrar menos espaço nas equipes profissionais, segundo os indicadores apresentados pela confederação.

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Em relação à implementação das novas exigências, a CBF identificou que 33 dos 40 clubes participantes das Séries A e B já possuem elencos compatíveis com a divisão de vagas prevista para 2027. O levantamento indica que a primeira etapa das alterações poderá ser cumprida pela maioria das equipes sem mudanças profundas na composição dos grupos de jogadores.

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