O Ministério Público de Milão pediu nesta quarta-feira (15) o arquivamento do inquérito contra Gianluca Rocchi, ex-chefe da escala de arbitragem da elite do futebol italiano, por suposto envolvimento em fraude esportiva.
Após dois anos de investigações, os procuradores concluíram que Rocchi não cometeu ilegalidades na esfera criminal, porém enviaram os atos do inquérito para avaliação da Justiça Desportiva e da Procuradoria-Geral do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni).
O ex-juiz era investigado por suspeita de fraude na designação de árbitros para quatro partidas da Inter de Milão: contra o Bologna, em 20 de abril de 2025; contra o Milan, em 23 de abril do mesmo ano; contra o Verona, em 3 de maio de 2025; e contra o Torino, em 26 de abril de 2026. Com exceção do derby, válido pela semifinal da Copa da Itália, todos os jogos eram da Série A.
A hipótese, agora descartada pelo Ministério Público, era de que a escala era preparada para agradar ao clube nerazzurro, que acabou vencendo apenas uma dessas partidas, contra o Verona. A Internazionale chegou a ser inscrita no rol de investigados, porém o MP também pediu o arquivamento.
Em comunicado, o procurador Marcello Viola disse que foi constatada a existência de "alegados episódios individuais de interferência", mas não de um "sistema estruturado voltado a interferir nas nomeações" dos árbitros.
A decisão, segundo Viola, "distingue entre fraude desportiva criminalmente relevante, que pressupõe conduta fraudulenta e destinada a afetar a equidade da partida individual, e conduta de interferência objetivamente privada dessas características".
O MP, no entanto, enviou para a Procuradoria de Monza a ramificação do inquérito que apura supostas ingerências de Rocchi na arbitragem de vídeo (VAR). A medida foi tomada porque a sala de operações do VAR na Itália fica em Lissone, município da província de Monza e Brianza.
Entre as partidas na mira da investigação estão uma vitória da Inter de Milão sobre o Verona por 2 a 1, em 6 de janeiro de 2024, e um triunfo da Udinese sobre o Parma por 1 a 0, em 1º de março de 2025.
No primeiro caso, a controvérsia gira em torno de uma cotovelada do interista Alessandro Bastoni no adversário Ondrej Duda, contato tido como não faltoso após um diálogo acirrado entre o VAR e o árbitro de campo, terminando com a confirmação do gol decisivo de Davide Frattesi. O lance não foi revisado no vídeo.
No segundo, a sala do VAR teria sido pressionada por Rocchi para chamar o árbitro a revisar um possível pênalti por toque de braço dentro da área, que não havia sido marcado em campo, mas foi confirmado após a intervenção e deu a vitória à Udinese.
Rocchi apitou até 2020 e era o responsável por designar os juízes e bandeirinhas das partidas das Séries A e B desde 2021. Ele se afastou do cargo em 25 de abril passado, na esteira das investigações.