Por que o curling não tem árbitro? Entenda consequências após acusação de trapaça em Milão-Cortina

Modalidade altera protocolo após polêmica envolvendo a participação do canadense Marc Kennedy

20 fev 2026 - 07h10
(atualizado às 08h01)

Conhecido pelas condutas de etiqueta e pela honestidade dos atletas, o curling ganhou as manchetes durante a disputa dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina por causa de um caso de trapaça do canadense Marc Kennedy.

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No duelo entre o seu país e a Suécia, no dia 13 de fevereiro, Kennedy lançou a pedra e, na sequência, deu mais um toque no granito. A ação não é permitida na modalidade e não foi acusada pelo atleta.

Após o confronto, Marc não negou e até reconheceu que pode ter cometido "pequenas infrações ao regulamento". O Canadá saiu com a vitória sobre os suecos pelo placar de 8 a 6.

Por que o curling não tem árbitro? Entenda
Por que o curling não tem árbitro? Entenda
Foto: Milano Cortina 2026/Divulgação/olympics

Depois da polêmica, a World Curling, entidade que gere o esporte internacionalmente, mudou o protocolo de avaliação dos juízes. Durante um dia de competições nos Jogos de Inverno, os árbitros passaram a observar os lançamentos de uma equipe durante três entradas caso haja uma notificação de infração do lado adversário.

Kennedy também foi acusado de trapaça pelo time suíço, que venceu a partida por 9 a 5. "Eu vi (Marc fazer isso) quando o árbitro estava ao meu lado. Eu realmente acredito que não faz diferença nenhuma, não altera a pedra, mas quando um árbitro estiver analisando, ele deveria ver", afirmou Pablo Lachat-Couchepin à BBC Sport.

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"Eu não gosto de ser acusado de trapaça depois de 25 anos competindo e quatro Olimpíadas. Ele continuou nos acusando de trapaça, e eu não gostei disso. Então eu disse a ele onde enfiar isso, porque somos o time errado para fazer esse tipo de acusação. Não me importo. Talvez ele estivesse chateado por estar perdendo", disparou Marc Kennedy depois de jogo contra a Suécia.

Arbitragem mínima no curling

É tradição na prática do curling os próprios jogadores na pista monitorarem as jogadas, apontarem para que lado os pontos devem ser computados e confessarem ocasionais irregularidades.

Em grande parte da partida, os juízes não são necessários. Eles apenas intervêm quando, por exemplo, é necessário medir a distância entre as pedras lançadas com um compasso, para determinar qual equipe consegue o ponto e vence a entrada.

Com a polêmica de Milão-Cortina, o britânico Hammy McMillan Jr foi um dos atletas que se mostrou a favor da implementação da revisão por vídeo por parte da arbitragem.

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"Você traz o VAR ou o Hawk-Eye, e cada equipe tem um ou dois desafios, então você tem que ter certeza de que alguém cometeu a violação. Talvez modernizaria um pouco o curling. Eu acho que o replay de vídeo poderia ser o próximo passo, com as equipes recebendo desafios", disse o escocês.

Sequência do curling nos Jogos de Inverno

O curling segue em disputa na Olimpíada sediada na Itália até o próximo domingo, 22. Entre os homens, o Canadá de Marc Kennedy está na final do torneio por equipes e brigará pela medalha de ouro contra a Grã-Bretanha. Suíça e Noruega competem pelo bronze.

No feminino, a modalidade está na fase de semifinais. Suécia e Canadá disputam um lugar na decisão, enquanto Estados Unidos e Suíça medem forças pela segunda vaga.

Antes disso, os suecos levaram o título nas duplas mistas. Os irmãos Isabella e Rasmus Wranå venceram os norte-americanos Cory Thiesse e Korey Dropkin por 6 a 5 para ficar com o ouro. Stefania Constantini e Amos Mosaner, da Itália, terminaram com o bronze.

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