Irã anuncia que não vai participar da Copa do Mundo de Futebol de 2026

O Irã caminha para a desistência da Copa do Mundo de 2026. O ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, confirmou que a seleção nacional "não participará" do torneio que será realizado nos Estados Unidos, México e Canadá, devido à guerra em curso e às tensões com Washington. Essa posição firme contrasta com o desejo declarado da Fifa - e do presidente dos EUA, Donald Trump - de ver a "Seleção Iraniana" presente na cerimônia de abertura.

11 mar 2026 - 15h48

"Como este regime corrupto assassinou nosso líder, não podemos participar da Copa do Mundo sob nenhuma circunstância", declarou Ahmad Donyamali à televisão iraniana, referindo-se à morte de Ali Khamenei em ataques aéreos atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.

A equipe de futebol do Irã na Copa do Mundo de 2022 antes de um jogo contra os Estados Unidos.
A equipe de futebol do Irã na Copa do Mundo de 2022 antes de um jogo contra os Estados Unidos.
Foto: AFP - FADEL SENNA / RFI

"Duas guerras nos foram impostas em oito ou nove meses, e milhares de pessoas foram mortas. Portanto, não temos possibilidade de participar desta forma", insistiu, endossando, na prática, a linha dura já delineada pela Federação Iraniana de Futebol após os ataques.

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Desde o início da ofensiva americano-israelense, o presidente da Federação, Mehdi Taj, havia aberto a possibilidade de um boicote, reiterando que a decisão final caberia às "autoridades esportivas" do país. "Esses eventos não ficarão sem resposta… Mas o que é certo neste momento é que, com este ataque e esta crueldade, não podemos olhar para a Copa do Mundo com qualquer esperança", explicou na ocasião, preparando todos para uma possível desistência da seleção nacional, que havia se classificado para sua sétima Copa do Mundo.

As manobras de Infantino

Diante do aumento das tensões, a Fifa está se esforçando para manter contato. Gianni Infantino revelou que conversou com Donald Trump na noite de terça-feira, que teria garantido que o Irã seria recebido sem restrições em solo americano. "Durante nossas conversas, o presidente Trump reafirmou que a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para jogar o torneio nos Estados Unidos", escreveu o presidente da Fifa em sua conta no Instagram. A Casa Branca confirmou essas declarações, descartando assim a possibilidade de recusa de vistos por motivos de segurança, um cenário levantado por alguns observadores.

Infantino, que mantém uma relação próxima com Trump há vários anos, aproveitou isso como um símbolo. "Todos nós precisamos, agora mais do que nunca, de um evento como a Copa do Mundo da Fifa para unir as pessoas, e agradeço sinceramente ao presidente dos Estados Unidos pelo seu apoio, porque isso demonstra mais uma vez que o futebol une o mundo", insistiu. O presidente da Fifa, o único líder esportivo presente na posse de Trump, já demonstrou sua amizade, chegando a presenteá-lo com o "Prêmio da Paz da Fifa", criado para a ocasião, cujos critérios nunca foram claramente definidos.

Iraque ou Emirados Árabes Unidos como substituto?

O presidente americano, por sua vez, tem sido bem menos conciliador em seu tom. Questionado no início de março sobre um possível boicote ao Irã, Trump retrucou: "Não me importo nem um pouco". Antes de acrescentar: "Acho que o Irã é um país que sofreu muito. Eles estão exaustos." Essa aparente indiferença contrasta fortemente com o desejo da Fifa de preservar, pelo menos aparentemente, o apelo universal do seu torneio.

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Caso o Irã se retire oficialmente, a AFC, Confederação Asiática de Futebol, proporá um sucessor. Dois nomes se destacam: Iraque e Emirados Árabes Unidos.

O Iraque ainda precisa disputar uma repescagem intercontinental em 31 de março, em Monterrey, contra Bolívia ou Suriname. Se vencer, a seleção iraquiana ficará no Grupo I, ao lado de França, Senegal e Noruega. Esse cenário abriria caminho para os Emirados Árabes Unidos, azarados finalistas da repescagem asiática (1-1, 1-2 contra o Iraque), ocuparem a vaga deixada pelo Irã no Grupo G. A menos que haja uma improvável reviravolta política em Teerã, a Copa do Mundo de 2026 poderá, portanto, começar sem a "Seleção Iraniana", mas não sem um representante adicional da Ásia.

RFI com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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