Loucura total! Logo no início de março, um título perdido, três treinadores já foram contabilizados no banco de reservas e apenas uma certeza: o Atlético não compete.
Depois da fatídica final do Mineiro no último domingo (8), o Alvinegro, que não sujou a roupa do goleiro Cássio, viu o sonho do hepta ir embora na derrota por 1 a 0 para o Cruzeiro, em um Mineirão cheio e dividido pelas duas torcidas.
Considerando que o ponto alto do "espetáculo" foi o entrevero generalizado entre atleticanos e cruzeirenses, com recorde nacional de expulsões (23), o torcedor do Galo está anestesiado.
Olha o que fizeram com meu sentimento
Durante o dia, o humilde escriba que vos fala recebeu dezenas de mensagens nas redes sociais sobre o mesmo olhar do amigo Luciano, membro dos Embaixadores do Galo:
"Betinho, pela primeira vez na vida, acordei sem sentir tristeza, sem estar com raiva depois de perder para o Cruzeiro. Olha o que fizeram com o meu sentimento. Eu não estou acreditando nisso, eu não estou com raiva, nem sei se estou triste, eu acho que não estou nem aí", pontuou.
Grito de desespero
Tirando a parte de que o Luciano, assim como outros, mandou a mensagem na primeira hora do raiar da segunda-feira, ele, apesar de não estar com aquela chateação de outros tempos, ainda está muito aí para o Galo. Mas o que poucos percebem é que o Luciano, guerreiro de arquibancada, está gritando, pedindo ajuda, desnorteado, em busca da identidade pela qual se apaixonou.
O negócio do futebol está mudando o olhar para as paixões. O tal "profissionalismo", tão proclamado, não consegue organizar uma liga, mas é capaz de afastar o atleticano do GALO.
Quadros na parede, caixa de sapato e recortes de jornal
O Luciano, a Ana, o Farnese, o Canaã, o Klaus, o Léo, o Waguinho, a Beth e tantos outros estão na mesma vibração. Vivendo o Galo dos quadros de parede e dos recortes de jornal.
Na verdade, o atleticano está revisitando os sonhos, as caixas de sapato com fotos do Mineirão antigo, vendo no YouTube o gol do Dinho com narração do Willy Gonser e sobrevivendo pelo quadro da parede, da história feita por batalhadores que se encorajavam pelo som da arquibancada preto e branca.
O mundo mudou, a torcida mudou e não sejamos hipócritas em dizer que não há coisas ótimas que chegaram para nos ajudar. A questão clara é que o Atlético está, no tempo do "estou em todo lugar", perto do freezer frigorífico e o povo também está ficando lá atrás, naquele quadro da parede que acabamos de falar. A questão não é sobre perder, é sobre parar de sentir.
O Luciano deu o grito de "me ajude, me represente". Anteontem ele estava com raiva, ontem estava anestesiado e sem ação. E se o amanhã for um adeus?
Atlético é identidade, povo e representação. Planilha funciona muito nos negócios e é necessária para manter o equilíbrio do orçamento, mas não pode chegar perto da apaixonada arquibancada.
O Galo nunca foi simpático, nunca desejou que o rival estivesse bem para os negócios mineiros prosperarem, o Galo sempre foi carteira de identidade das batalhas da vida. Quem não entendeu isso tem que pegar rapidinho a maletinha do checkout, descalçar a chuteira sem espora e ir embora. Viva o Luciano e a fé atleticana! O Galo é, o resto está.
Galo, som, sol e sal é fundamental
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