Fifpro exige medidas contra abusos sistemáticos na Copa do Mundo

Comunicado do Sindicato surge após protesto da Federação Holandesa contra ataques sofridos por jogadores após eliminação para Marrocos

4 jul 2026 - 14h59
(atualizado às 14h59)
Fifpro faz denúncia sobre abusos presenciais e online –
Fifpro faz denúncia sobre abusos presenciais e online –
Foto: Alex Grimm/Getty Images / Jogada10

A Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (Fifpro) divulgou um comunicado contundente sobre os abusos sofridos por jogadores durante a Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. No documento, intitulado "Protegendo os jogadores da Copa do Mundo contra abusos", a entidade alerta para um padrão crescente e sistêmico de ataques, exigindo um "compromisso coletivo" de autoridades públicas e privadas para garantir melhores condições de saúde e segurança aos atletas.

Segundo a Fifpro, os episódios de violência verbal e discriminação ocorreram tanto em ambientes virtuais quanto presenciais, especialmente após partidas decisivas e eliminações de seleções. O sindicato destaca que muitos desses ataques tiveram caráter racista e discriminatório, além de lembrar os riscos físicos que acompanham a competição. O comunicado foi publicado poucos dias depois de a Federação Holandesa de Futebol protestar contra os insultos dirigidos a seus jogadores após a eliminação para o Marrocos nos pênaltis.

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A entidade ressalta que a Copa do Mundo é o torneio mais lucrativo do esporte, construído pelo "trabalho, habilidade e paixão" dos atletas, que enfrentam exigências físicas e emocionais intensas ao competir no mais alto nível. Por isso, pede a união de forças de segurança, plataformas digitais, veículos de mídia, torcedores e sociedade em geral para combater os abusos.

Em junho de 2026, a Fifpro firmou um acordo com a Fifa, válido até 2031, para ampliar a cooperação entre as duas organizações. Atualmente, o sindicato reúne cerca de 70 associações nacionais, incluindo a Fenapaf, e representa aproximadamente 65 mil jogadores em todo o mundo.

Fifpro faz denúncia sobre abusos presenciais e online –
Foto: Alex Grimm/Getty Images / Jogada10

Veja a nota completa da Fifpro

Declaração da FIFPRO: Protegendo os jogadores da Copa do Mundo contra abusos

À medida que a Copa do Mundo Masculina da FIFA entra em suas fases decisivas, a FIFPRO pede uma ação coletiva para proteger os jogadores de um padrão crescente de abusos que engloba parte da cobertura da mídia, o pós-jogo e as eliminações das seleções.

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Representar seu país na maior competição do esporte é uma das maiores honras do futebol, carregando orgulho e responsabilidade. Os jogadores demonstram solidariedade à medida que seu trabalho, habilidade e paixão ajudam a criar o torneio econômico mais bem-sucedido do esporte, financiando o desenvolvimento do futebol em todo o mundo.

Na Copa do Mundo, após uma longa temporada, os jogadores deixam tudo em campo por seu país. Eles suportam as exigências físicas, emocionais e profissionais de competir no mais alto nível, incluindo o risco de lesões e consequências de longo prazo para suas carreiras. No entanto, o abuso nunca deve fazer parte do compromisso que assumem com este torneio.

Nas últimas semanas, os jogadores enfrentaram abusos online e presencialmente, muitos deles de caráter racista e discriminatório. Houve intimidação e hostilidade além do campo. Esses incidentes não são isolados; eles apontam para um padrão sistêmico que não pode continuar sendo uma parte aceita do futebol ou da sociedade. Os jogadores carregam nos ombros as expectativas de uma nação, mas isso nunca deve ocorrer às custas de sua segurança, dignidade ou bem-estar, nem o abuso deve ser tolerado como "parte do jogo".

A seleção nacional é uma extensão do local de trabalho dos jogadores, e eles devem ser protegidos como tal. Embora passos importantes tenham sido dados, a FIFPRO convoca as partes interessadas do futebol, bem como atores públicos e privados, a aumentarem seus esforços, uma vez que o monitoramento e a denúncia sozinhos não conseguem mudar comportamentos ou prevenir danos.

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Deve haver consequências significativas para os responsáveis e um compromisso coletivo de diversos grupos — incluindo as forças de segurança, redes sociais, mídia, torcedores e o público em geral — para reverter essa tendência. No contexto do seu Memorando de Entendimento com a FIFA, a FIFPRO também levará este tema à atenção da recém-criada Plataforma Global de Diálogo Social, presidida pela FIFA, no âmbito do grupo de trabalho sobre saúde e segurança dos jogadores.

À medida que a pressão do torneio aumenta, a FIFPRO insta todos a fazerem a sua parte na proteção dos jogadores.

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