O artigo critica a postura de Renato Portaluppi no Grêmio, afirmando que o técnico "se perdeu no personagem" e deixou de agir como líder. Após acumular três empates e uma derrota em quatro jogos, o treinador tem exposto publicamente as falhas do elenco e da diretoria, além de colocar o cargo à disposição. Para o autor, essas declarações apenas tumultuam o ambiente e mascaram a incompetência do técnico, cuja imagem ficará marcada caso não evite o iminente rebaixamento do clube.
Eu não consigo imaginar que o torcedor do Grêmio trate com naturalidade as falas do técnico Renato Portaluppi. Antes de mais nada, eu preciso deixar claro que sou admirador e talvez até defensor dos trabalhos do técnico do Grêmio. Em alguns momentos, acho, inclusive, que pegam no pé dele pela postura e convicções dentro e fora do futebol.
Contudo, não é de agora que Renato Portaluppi deixou de se comportar como líder. Vou trazer aqui três exemplos recentes que podem provar essa afirmação. Renato pediu demissão ao vivo do Fluminense, porque, segundo ele, vinha sendo "perseguido" por influenciadores e jornalistas na cobertura do clube.
Depois, no Vasco, Renato adotou postura parecida com a atual, expondo o elenco do Vasco, apontando fragilidades do grupo e até questionando a qualidade de jogadores colombianos. No Grêmio, em quatro jogos, ele fez todas as críticas possíveis e imagináveis ao elenco e diretoria.
Como diria o poeta desconhecido: arrumou a bronca, agora segura. Renato deixou o cargo à disposição. Sair agora, sem nem mesmo ter chegado, é uma vergonha para a sua biografia.
Ele não sabia de nada?
É claro que ele tem o direito de apontar fragilidades, questionar a montagem do elenco. Afinal de contas, ele não participou de nada disso e foi chamado no final do ano para evitar a queda para a segunda divisão. Renato Portaluppi disse várias vezes que o Grêmio não convida, o Grêmio o convoca.
Mas, desta vez, era melhor ter recusado a convocação. Na minha opinião, as falas recentes de Renato sobre a qualidade do elenco, sobre peso de jogador e sobre a dificuldade de comunicação com estrangeiros falam mais sobre ele do que sobre o grupo.
Existem verdades que precisam ser ditas. Mas, em quatro jogos no comando do clube, Renato falou, repetiu e repetiu. Bom, e o resultado? São três empates e uma derrota. A fala na coletiva pode ser interpretada de várias maneiras. Para mim, elas estão servindo para tapar a incompetência como técnico.
Falas de Renato Portaluppi servem para tumultuar ainda mais o ambiente
As falas do treinador nesse momento não vão ajudar em nada na luta do Grêmio contra o rebaixamento. Renato tenta tirar o peso de uma possível queda. Mas, se isso acontecer, a sua digital estará lá. O que eu me pergunto é o seguinte: Renato Portaluppi não vê futebol? Ele não analisou o elenco antes de assumir? Não tomou conhecimento dos bastidores do clube?
Como eu disse, Renato se perdeu no personagem. No atual momento do Grêmio, frases de efeito não vão resolver o problema. O Grêmio precisa vencer seus jogos; Renato precisa dar resultado. No final, a história não vai contar que o grupo tinha um jogador 9 kg acima do peso, mas vai lembrar que o maior ídolo da sua história não salvou o Imortal de mais um rebaixamento.