Portugal está nas oitavas de final da Copa do Mundo. A vitória por 2 a 1 sobre a Croácia na noite desta quinta-feira (02), construída nos acréscimos, garantiu o duelo contra a Espanha e manteve vivo o sonho português pelo título. Ao mesmo tempo, a partida ganhou um peso que ultrapassou a disputa por uma vaga. Em campo, duas das maiores referências desta geração viveram momentos opostos em uma noite que dificilmente será esquecida.
A classificação portuguesa foi construída com insistência. Desde o início, a equipe de Roberto Martínez assumiu o controle da posse de bola, pressionou pelos lados do campo e tentou acelerar o jogo, enquanto encontrava uma Croácia organizada defensivamente e confortável em esperar o momento certo para responder.
Mesmo controlando as ações, Portugal encontrou dificuldades para transformar o domínio em oportunidades claras. Rafael Leão e Bruno Fernandes criavam movimentação constante, mas Livaković aparecia sempre que necessário. Do outro lado, bastou uma construção bem executada para Ivan Perišić abrir o placar e recolocar a experiência croata no centro da partida.
Cristiano mantém Portugal vivo, Modric resiste até o fim
O gol croata obrigou Portugal a acelerar ainda mais o ritmo. Cristiano Ronaldo, que já havia tido um gol anulado por impedimento, chamou novamente a responsabilidade. Quando Renato Veiga sofreu o pênalti confirmado pelo VAR, o camisa 7 converteu com personalidade e encerrou um dos poucos capítulos que ainda faltavam em sua carreira: marcar em um confronto eliminatório de Copa do Mundo.
O empate mudou completamente o cenário da partida. Portugal ganhou confiança, passou a ocupar o campo ofensivo de maneira ainda mais agressiva e fez a Croácia recuar. Ao mesmo tempo, os croatas mostravam por que seguem entre as seleções mais competitivas da última década, suportando a pressão e ameaçando sempre que conseguiam acelerar as transições.
No centro desse equilíbrio estava Luka Modric. Aos 40 anos, o camisa 10 voltou a comandar o ritmo da equipe com a naturalidade que marcou sua trajetória. Sem a explosão física de outras Copas, compensou cada metro percorrido com inteligência, visão de jogo e liderança, mantendo a Croácia viva até os instantes finais.
A partida ganhou novos contornos quando Roberto Martínez decidiu substituir Cristiano Ronaldo antes do apito final. O português deixou o gramado visivelmente contrariado, mas viu seus companheiros responderem imediatamente. Nos acréscimos, Rafael Leão encontrou Gonçalo Ramos, que apareceu entre os zagueiros para marcar o gol da classificação portuguesa.
Uma classificação que também simboliza a passagem do tempo
Nem mesmo o susto derradeiro mudou o roteiro. A Croácia ainda balançou as redes nos minutos finais, mas o VAR identificou impedimento na jogada e confirmou a vitória portuguesa. O alívio deu lugar à festa de quem continua acreditando no título mundial.
A classificação também reforça uma característica que Portugal buscava consolidar nesta Copa. Mesmo com Cristiano Ronaldo como principal referência técnica e emocional, a equipe mostrou capacidade para decidir coletivamente. O gol de Gonçalo Ramos simboliza justamente essa transição entre uma geração liderada pelo maior artilheiro da história da seleção e outra que começa a assumir protagonismo nos momentos decisivos.
Se Portugal celebra a continuidade do sonho, a Croácia deixa o torneio com a sensação de encerramento de um ciclo histórico. Luka Modric já declarou que esta seria sua última participação em uma Copa do Mundo e, embora ainda não tenha definido quando encerrará a carreira, o futuro pela seleção permanece em aberto. Independentemente da decisão, seu legado já está consolidado entre os maiores meio-campistas da história do futebol.
Curiosamente, o duelo também aproximou as trajetórias de seus dois protagonistas. Cristiano Ronaldo e Luka Modric chegaram à Copa cercados por questionamentos sobre quanto tempo ainda permanecerão em atividade. Ambos admitem refletir sobre o futuro após o Mundial, mas nenhum definiu uma data para a aposentadoria. A diferença é que, nesta noite, apenas um deles continuará escrevendo novos capítulos.
Portugal enfrentará a Espanha nas quartas de final carregando confiança e a certeza de que superou um dos adversários mais resilientes do futebol internacional. A Croácia retorna para casa sem a classificação, mas com a mesma identidade competitiva que a transformou em protagonista das últimas Copas. Em uma noite decidida pelo placar, o futebol também encontrou espaço para celebrar o presente de Cristiano Ronaldo e, ao mesmo tempo, reconhecer que Luka Modric pode ter disputado seu último jogo em um Mundial. É esse contraste que transforma a classificação portuguesa em um dos momentos mais simbólicos desta Copa.