Breno Bidon, meia de 21 anos do Corinthians, foi convocado por Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira em meio a um processo de renovação. O jovem canhoto destaca-se pela versatilidade, visão de jogo, precisão nos passes e combatividade sem a bola, o que lhe rende comparações com o espanhol Pedri. Avaliado em 20 milhões de euros e cobiçado por clubes europeus, Bidon consolida sua transição da base para o profissional e ganha a chance de provar seu valor no cenário internacional.
A convocação de Breno Bidon é uma das novidades da primeira lista de Carlo Ancelotti no novo ciclo da Seleção Brasileira. Aos 21 anos, o meia do Corinthians ganha sua primeira chance após deixar de ser promessa da base e assumir papel mais relevante no time profissional.
Canhoto, técnico e versátil, Breno Bidon pode atuar em diferentes zonas do meio-campo e se destaca pela capacidade de antecipar as jogadas. Com a cabeça levantada, busca a próxima solução antes mesmo de receber a bola, combinando criatividade na construção com participação sem a posse.
O ano em que Breno Bidon ganhou espaço
Os números mostram um jogador com participação significativa. Pela Série A do Brasileirão 2026, Bidon soma 23 partidas, 21 como titular, 1.604 minutos, dois gols e uma assistência, segundo o levantamento do FotMob. A média de avaliação é de 6,81.
No Sofascore, o meia aparece com 20 milhões de euros (R$ 118,8 milhões, na cotação atual) de valor de mercado e uma avaliação média de 6,7 nos últimos 12 meses. O dado mais recente também é significativo: recebeu nota 7,2 na derrota do Corinthians para a Chapecoense.
Portanto, acabou justificando a convocação apesar do momento complicado do Timão no Brasileirão. Breno Bidon também participou de momentos importantes da temporada. Na Copa Libertadores da América, marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Rosario Central, nas oitavas de final.
Passe como principal cartão de visita
É justamente na construção que aparece uma das maiores virtudes do camisa 7 do Timão. Na Série A, Bidon soma 704 passes, 604 certos, com 85,8% de aproveitamento, além de 18 passes-chave e 2,49 assistências esperadas. São aproximadamente 39 passes por 90 minutos.
Mas o número mais interessante talvez esteja na capacidade de participar de diferentes fases. Em 2026, registra 211 duelos disputados e 110 vencidos, além de 17 desarmes e 52 recuperações. Ou seja, não é simplesmente um meia preocupado com a bola nos pés.
Tem participação sem ela e consegue competir fisicamente, ainda que esse não seja o elemento que define seu jogo. No duelo contra o Internacional pela Copa do Brasil, por exemplo, acertou 49 dos 55 passes, uma eficiência de quase 89%, em uma partida em que o Corinthians teve 73% de posse.
Por que falam em Pedri?
A comparação com Pedri, do Barcelona, não surgiu do nada. Bidon foi questionado sobre ela em entrevista à ESPN e admitiu que o espanhol é uma referência para seu futebol. A ideia não é dizer que os dois jogadores têm o mesmo nível ou exatamente as mesmas características.
A semelhança aparece na leitura dos espaços, na qualidade do passe curto e na capacidade de sair da pressão para acelerar a jogada com poucos toques. Entre suas características está o movimento entre linhas, seguido de condução curta e passe para companheiros em zonas de difícil acesso.
Em 2025, por exemplo, foi protagonista de uma das jogadas mais bonitas da campanha do Corinthians na Copa do Brasil, ao aplicar uma meia-lua de primeira antes de iniciar a construção do gol decisivo contra o Vasco.
A Europa já bateu à porta
A convocação chegou poucos dias depois de Breno Bidon ter sido alvo do futebol europeu. O Besiktas chegou a discutir uma transferência por cerca de 18 milhões de euros, mas não formalizou a proposta antes do encerramento da janela turca.
O Corinthians manteve o jogador, que tem contrato até dezembro de 2029. O interesse reforça a valorização de Bidon no mercado: ele deixou de ser apenas uma aposta da base e passou a despertar atenção pelo potencial de uma futura transferência para a Europa.
E o próprio jogador já deixou claro que pensa nesse caminho, mas sem pressa para escolher qualquer destino. A preferência passa por mercados como Inglaterra, Espanha ou Itália. De Portugal, o jogador já teve abordagens do Sporting e do Benfica.
Agora, o teste de Carlo Ancelotti
Ancelotti encontrou em Bidon um meia jovem, canhoto, versátil e com capacidade para participar da construção e pressionar sem bola. A convocação faz parte de uma renovação profunda: apenas nove jogadores que estiveram na Copa de 2026 permaneceram na primeira lista do italiano.
O desafio agora é levar o talento que o Corinthians já conhece a um nível mais alto de exigência. Na Seleção, Breno Bidon chega sem a obrigação de ser solução imediata, mas com a oportunidade de ser observado por Carlo Ancelotti e mostrar até onde pode evoluir.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal