O Tocantinópolis passou a ser investigado pela Polícia Civil do Tocantins em apuração de suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. A informação foi divulgada inicialmente pelo Globo Esporte.
A apuração envolve repasses que, segundo os investigadores, ultrapassam R$ 5,1 milhões ao longo de mais de uma década.
A ofensiva policial ocorreu na manhã desta quinta-feira (12), quando foi deflagrada a Operação 2º Tempo na cidade de Tocantinópolis, na região conhecida como Bico do Papagaio. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em diferentes pontos do município.
Entre os alvos estão o presidente do Tocantinópolis Esporte Clube, Leandro Pereira, e o prefeito da cidade, Fabion Gomes (PL). As equipes policiais também realizaram diligências na sede do clube, em secretarias da administração municipal e no gabinete do chefe do Executivo.
A ação é conduzida pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Deic) e busca desarticular um suposto esquema que teria utilizado o futebol como mecanismo para desvio de verbas públicas. Segundo a polícia, os crimes investigados incluem peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com a investigação, o fluxo de repasses da prefeitura ao clube teria ocorrido de forma contínua entre 2009 e 2024. Nesse período, os valores transferidos ao time ultrapassariam R$ 5,1 milhões.
As autoridades afirmam que as irregularidades já eram conhecidas desde 2007, quando o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO) considerou irregular a prestação de contas daquele ano por ausência de autorização legal para as transferências.
As apurações foram baseadas, entre outros elementos, em relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A partir desses documentos, a Polícia Civil identificou três possíveis pilares do esquema.
O primeiro deles seria a realização de repasses considerados irregulares, autorizados por gestores municipais mesmo após decisões do Tribunal de Contas apontarem a ilegalidade das transferências.
O segundo ponto investigado é a suspeita de que o clube tenha sido utilizado como entidade de fachada, com a suposta falsificação de documentos, como atas e recibos, para dar aparência de legalidade a repasses que, segundo a polícia, não teriam relação direta com atividades esportivas ou interesse público.
De acordo com a apuração, parte dos valores que chegavam às contas da entidade teria sido redistribuída posteriormente para contas pessoais de dirigentes e terceiros. Também foram identificados saques em dinheiro vivo, o que pode ter sido utilizado para dificultar o rastreamento das verbas.
Para cumprir os mandados judiciais, a Polícia Civil mobilizou 34 agentes, entre investigadores e peritos. Durante a operação, foram apreendidos documentos administrativos, aparelhos eletrônicos e registros contábeis que devem ajudar na continuidade das investigações.
Entre os investigados também está um policial militar da ativa, circunstância que levou a Polícia Militar do Tocantins a prestar apoio à operação.
Segundo a polícia, o nome Operação 2º Tempo faz referência à continuidade do combate a esquemas ilícitos que utilizam o esporte como instrumento para práticas criminosas.
Posicionamentos
Procurado, o presidente do Tocantinópolis, Leandro Pereira, afirmou que o clube não recebe recursos da prefeitura desde o início de sua gestão, iniciada em janeiro de 2025.
Segundo ele, os repasses investigados ocorreram com base em uma lei municipal antiga que autorizava transferências mensais equivalentes a 30 salários mínimos ao clube.
De acordo com Pereira, em dezembro de 2024 uma decisão liminar suspendeu esse mecanismo de repasse, ainda antes de sua posse na presidência da entidade. Desde então, segundo ele, não houve novas transferências de recursos públicos.
"Depois que eu assumi a presidência e o prefeito Fabion Gomes também assumiu em janeiro de 2025, a prefeitura não teve repasse. O clube, nesse período de um ano e três meses de gestão, não recebeu nenhum recurso público e não tem convênio com o município", declarou.
O prefeito Fabion Gomes também se manifestou por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais.
Ele afirmou que, durante sua gestão, os pagamentos ao clube foram interrompidos por decisão judicial. Segundo o prefeito, os repasses anteriores foram realizados com base em legislação municipal vigente à época.