Novas regras reduzem cera e aumentam tempo de bola no Brasileirão

Medidas adotadas a partir da 23ª rodada também reduziram atendimentos a goleiros e mudaram a dinâmica de substituições

24 set 2026 - 08h01
Resumo
Novas regras contra o antijogo aumentaram o tempo de bola rolando no Brasileirão em quase cinco minutos, elevando a média para 58 minutos por partida. As medidas incluem punições por atraso na reposição de bola e nas substituições, além da "Lei Vini Jr.", que pune atletas que cobrem a boca para provocar. Outro efeito expressivo foi a queda de 65% nos atendimentos a goleiros, além da saída obrigatória de campo por um minuto para quem recebe auxílio médico, coibindo a cera durante os jogos.
Foto: Lucas Figueiredo/CBF / Esporte News Mundo

As novas regras criadas para combater a cera e outras formas de anti-jogo já produzem efeitos no Campeonato Brasileiro. De acordo com levantamento do Gato Mestre, 38 aplicações das medidas foram registradas em 62 partidas disputadas desde a 23ª rodada, quando as normas começaram a valer.

Entre as mudanças está a chamada "Lei Vini Jr.", que prevê a expulsão de jogadores, suplentes ou substituídos que cubram a boca para se comunicar com um adversário de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória. A regra foi aplicada duas vezes no Brasileirão desde sua implementação.

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A primeira ocorreu justamente na 23ª rodada. Arthur Cabral, do Botafogo, recebeu cartão vermelho após cobrir a boca durante uma discussão na derrota por 1 a 0 para o Vitória.

A segunda aplicação aconteceu no Athletiba da 27ª rodada, que terminou empatado em 3 a 3. Aos 42 minutos do primeiro tempo, o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães consultou o VAR e expulsou Breno Lopes, do Coritiba, por um lance envolvendo Benavídez.

Cobranças e substituições também têm limite

Outra medida estabelece que os jogadores tenham cinco segundos para realizar cobranças de lateral ou tiro de meta. Desde a adoção da regra, a arbitragem penalizou a demora em quatro ocasiões. Foram três laterais revertidos e um tiro de meta transformado em escanteio.

O último caso aconteceu no Choque-Rei entre Palmeiras e São Paulo. Na vitória palmeirense por 2 a 0, o goleiro Carlos Coronel levou seis segundos para cobrar um tiro de meta aos 44 minutos do primeiro tempo. O árbitro Rafael Rodrigo Klein marcou escanteio para o Palmeiras.

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Após a cobrança, o time alviverde chegou a finalizar com Arias, depois da batida de Andreas Pereira.

As substituições também passaram a seguir um limite específico. Quando o quarto árbitro levanta a placa indicando a troca, o jogador que deixará o campo tem 10 segundos para sair. A regra já foi aplicada três vezes, sempre após o atleta ultrapassar o tempo determinado.

No empate por 0 a 0 entre Internacional e Atlético-MG, Ruan demorou para deixar o gramado aos 17 minutos do segundo tempo. Vitor Hugo, que entraria em seu lugar, precisou esperar 1 minuto e 12 segundos para ser autorizado.

Na vitória do Grêmio por 3 a 1 sobre a Chapecoense, Danilo Barbosa também demorou para sair. Bernardo Zortea aguardou 1 minuto e 20 segundos antes de entrar.

Já no triunfo do Flamengo por 2 a 1 diante do Bragantino, Arrascaeta deixou o campo após o limite, enquanto De la Cruz esperou 1 minuto e 4 segundos para ser liberado.

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Atendimentos a goleiros caem 65%

Entre os efeitos mais expressivos registrados após a adoção das novas medidas está a redução dos atendimentos médicos aos goleiros. Segundo o levantamento, a queda foi de 65%.

Antes da mudança, foram registrados 88 atendimentos em 215 partidas do Brasileirão de 2026. Depois da implementação das regras, foram nove atendimentos em 62 jogos.

A primeira aplicação da medida teve Gabriel Brazão e Neymar como protagonistas, no confronto entre Vasco e Santos. Apesar de Brazão não ter recebido atendimento médico, o árbitro Lucas Casagrande determinou que Neymar deixasse o campo por um minuto.

Outro caso ocorreu na vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Mirassol, em partida atrasada da quarta rodada. Após o goleiro Walter receber atendimento, André Luís foi escolhido para cumprir a saída obrigatória, deixando o Mirassol temporariamente com um jogador a menos.

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O Flamengo aproveitou a vantagem numérica para ampliar o placar com Lucas Paquetá, após cruzamento de Carrascal.

Além dos nove atendimentos envolvendo goleiros, o Gato Mestre registrou outros 20 casos de jogadores de linha que precisaram deixar o campo por pelo menos um minuto após receber atendimento médico.

Nessas situações, o tempo médio de permanência fora do gramado foi de 1 minuto e 13 segundos. Nenhum gol foi marcado durante esses intervalos, segundo o levantamento.

Jogadores passam a recusar atendimento

A nova regra também provocou uma reação diferente entre alguns jogadores, a recusa ao atendimento médico para evitar a saída temporária do campo.

Um exemplo aconteceu na partida entre Remo e Coritiba, pela 25ª rodada. Aos 10 minutos do primeiro tempo, Marlon, do Remo, ficou caído após uma dividida com JP Chermont. A árbitra Daiane Muniz se aproximou do lateral, mas ele dispensou o atendimento para não precisar deixar o gramado.

Tempo de bola em jogo aumenta

As mudanças também tiveram impacto no tempo efetivo das partidas. Um estudo encomendado pela CBF apontou que o tempo de bola rolando no Campeonato Brasileiro aumentou em 4 minutos e 49 segundos por jogo desde a implementação das novas regras.

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A média passou de 53 minutos e 54 segundos para 58 minutos e 43 segundos. O crescimento corresponde a 5,9% no tempo efetivo de jogo.

Dessa forma, além das punições relacionadas à "Lei Vini Jr.", as novas medidas já interferem em diferentes momentos das partidas, como cobranças de lateral e tiro de meta, substituições e atendimentos médicos.

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