'Não identifico contato. Temos de confiar na tecnologia', diz Caravina sobre gol anulado da Croácia

Analista de arbitragem do Estadão comenta sobre polêmica do 'eletrocardiograma da bola' em lance do ataque croata

3 jul 2026 - 13h35

O gol anulado da Croácia nos acréscimos da derrota por 2 a 1 para Portugal, pelos 16 avos de final da Copa do Mundo, segue gerando debates. A decisão da arbitragem, baseada no sensor instalado na bola para detectar o momento exato do toque antes da marcação do impedimento semiautomático, dividiu opiniões. Para Paulo Caravina, analista de arbitragem do Estadão, no entanto, a tecnologia deve prevalecer, mesmo que o contato não seja perceptível nas imagens.

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Segundo ele, o sistema foi desenvolvido justamente para identificar detalhes impossíveis de serem vistos a olho nu e definir com precisão o instante em que a bola é tocada.

"Geralmente o VAR já vibra ali acima de 10 centímetros, mas não pegou provavelmente o toque no momento ali, o toque do jogador que desvia ali. Eu não costumo não desconfiar de equipamento, da máquina ali, mas é um lance que a gente não consegue ver visualmente, mas é criado para exatamente isso."

Caravina explicou que o sensor presente na bola faz parte do funcionamento do impedimento semiautomático e serve para determinar exatamente quando ocorre o primeiro contato, permitindo que o sistema trace a linha da posição dos jogadores.

"O que acontece? Quando foi-se criar o impedimento semiautomático, tinha que determinar o momento do toque na bola. E para a regra, o momento tem que ser o inicial. Então eles criaram esse sensor para definir quando iniciar o contato na bola, para o VAR semiautomático conseguir traçar essa linha. Então esse sensor capta ali qualquer movimento, qualquer contato da bola leve que seja, pode ter sido o cabelo ali. Pela curta curva que faz ali, pode ter sido o cabelo. E se for o cabelo também, inabilita o jogador adversário."

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Outro ponto levantado após a partida foi o desvio da bola na cabeça de um jogador português antes de ela chegar ao atacante croata. O analista ressaltou, porém, que esse tipo de lance não caracteriza uma ação deliberada e, por isso, não reinicia a jogada para efeito de impedimento.

"O que deixa mais dúvida, que eu vi o pessoal comentando também, é que desvia num jogador de Portugal. Bate na cabeça do jogador de Portugal. E aí me perguntaram se essa questão de desviar no jogador de Portugal não habilitaria o atacante. E não, porque a gente tem que considerar esse desviar como desvio, e não uma ação deliberada de tentar jogar. Você vê que ele nem tem intenção de jogar ali, apenas a bola bate na cabeça dele e depois vai para o atacante da Croácia."

Na avaliação de Caravina, apesar da dificuldade em identificar o toque nas imagens disponíveis, a decisão foi correta por seguir o funcionamento da tecnologia utilizada pela arbitragem.

"Então dentro desse lance, explicando para a regra, por mais que seja um lance difícil, é simples. Teve o contato ali, a partir dali traça a linha e anula o gol corretamente, só com tecnologia. Eu procurei todos os ângulos na imagem, já coloquei aqui no Flamengo a Flamengo, não consigo identificar esse contato. A gente tem que confiar na tecnologia, não tem o que fazer."

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O lance ocorreu nos acréscimos da vitória portuguesa sobre a Croácia por 2 a 1. Após revisão do VAR, o gol de empate croata foi invalidado por impedimento, decisão que provocou reclamações dos jogadores, especialmente do capitão Luka Modric. Com o resultado, Portugal avançou às oitavas de final da Copa do Mundo e terá pela frente a Espanha na próxima fase, em Arlington, nos Estados Unidos.

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