Lula mira as bets e expõe a aposta financeira do Flamengo

Reeleito para um quarto mandato, presidente transformou o fim das apostas em promessa de campanha; ofensiva ameaça contrato milionário do Flamengo com a Betano

26 out 2026 - 13h01
(atualizado às 13h01)
Resumo
A ofensiva do governo Lula contra as casas de apostas ameaça as finanças do futebol brasileiro e expõe o Flamengo a uma crise orçamentária. Com a proibição do setor via medida provisória, o clube carioca pode perder o patrocínio da Betano, estimado em R$ 268,5 milhões anuais até 2028. Essa dependência financeira põe em risco grandes investimentos esportivos e cobra da gestão de Luiz Eduardo Baptista planos para diversificar receitas e mitigar o impacto do fim das bets.

Lula fez do fim das bets uma bandeira de campanha e, reeleito para um quarto mandato, levou a promessa para o centro das decisões do governo. A ofensiva contra as casas de apostas coloca o Flamengo de Luiz Eduardo Baptista, o BAP, diante de um problema milionário: o risco de perder uma das principais fontes de receita comercial do clube.

Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Foto: Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte / RTI Esporte

A contradição é evidente. Enquanto o presidente defende o encerramento das apostas para combater o endividamento e os danos sociais associados ao jogo, o futebol brasileiro incorporou o dinheiro dessas empresas aos seus orçamentos. O Flamengo está entre os clubes que precisam lidar com as consequências dessa dependência.

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O contrato com a Betano, estimado em R$ 268,5 milhões por ano até 2028, dá a dimensão do risco rubro-negro. Não se trata de uma receita secundária, que possa ser substituída sem dificuldades. É um acordo de grande porte, ligado à capacidade de investimento do clube e à sustentação de suas ambições esportivas.

Em setembro, Lula declarou publicamente que pretendia acabar com as bets e criticou o financiamento dos clubes por esse setor. No dia 25 daquele mês, assinou uma medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa. A iniciativa atingiu diretamente o modelo comercial que ajudou a financiar o futebol brasileiro.

O presidente, portanto, não pode alegar surpresa com a reação dos clubes: o tema estava exposto durante a campanha. Da mesma forma, dirigentes não podem tratar a mudança como um risco imprevisível. A promessa política era pública, e seus possíveis efeitos econômicos exigiam planejamento.

No Flamengo, a discussão ganha peso pelo tamanho do contrato com a Betano e pelos compromissos assumidos para manter um elenco caro. BAP tem o direito de defender os interesses comerciais do clube e contestar judicialmente as medidas. Mas a reação jurídica não elimina a necessidade de responder por uma questão fundamental: como proteger o orçamento se essa receita deixar de existir?

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BAP precisa responder pela estratégia financeira

A preocupação ficou ainda mais evidente quando BAP questionou como o Flamengo pagaria por Lucas Paquetá em janeiro. A declaração expôs a pressão sobre as contas rubro-negras e a importância de manter receitas elevadas para sustentar investimentos no mercado da bola.

O episódio também levanta uma questão incômoda para a diretoria. Se uma mudança regulatória ameaça o planejamento esportivo, até que ponto o clube diversificou suas fontes de arrecadação para enfrentar um cenário adverso?

O problema não se restringe ao Flamengo. As casas de apostas conquistaram espaço central nos uniformes e nos contratos comerciais do futebol nacional. Os recursos ajudaram a ampliar receitas, mas também criaram uma dependência que agora cobra seu preço.

Lula colocou o fim das bets no debate eleitoral e transformou a promessa em ação de governo. Cabe ao Congresso e à Justiça definir os desdobramentos jurídicos das medidas, enquanto os clubes precisam avaliar as consequências para seus contratos e orçamentos.

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BAP não controla a política regulatória do país, mas responde pelas escolhas financeiras do Flamengo. A força comercial do clube não pode ser medida apenas pelo valor de seus patrocínios, e sim pela capacidade de preservar a competitividade quando uma fonte importante de dinheiro desaparece.

A promessa de Lula já estava na mesa. O desafio do Flamengo é explicar por que um contrato dessa dimensão pode se transformar em um problema tão grande para o planejamento do clube.

(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.

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