Em análise assinada pelo jornalista Wilson Pimentel para a Agência RTI Esporte, destaca-se o momento crítico do Flamengo na Copa Libertadores. A equipe rubro-negra sofreu um duro revés diante do Estudiantes após o técnico Leonardo Jardim não conseguir decifrar a postura tática do adversário, resultado que agrava a situação do clube na competição continental.
Leonardo Jardim teve 180 minutos para decifrar o
Estudiantes. Não conseguiu. A eliminação do
Flamengonos pênaltis, em pleno Maracanã, foi o desfecho de uma semifinal em que o treinador português fracassou na missão mais elementar: encontrar soluções para superar a estratégia do adversário.
As duas partidas foram vergonhosas. O Flamengo não apresentou um futebol compatível com a qualidade de seu elenco e a ambição continental do clube. Leonardo Jardim, responsável por organizar a equipe e ajustar o plano de jogo, não conseguiu fazer o time sair da armadilha tática montada pelos argentinos.
O Estudiantes fechou os espaços, dificultou a circulação da bola e neutralizou as principais armas rubro-negras. Jardim assistiu ao cenário se repetir sem encontrar alternativas consistentes. Faltaram movimentação, velocidade e criatividade. Sobrou previsibilidade. O Flamengo teve a posse, mas não transformou esse domínio territorial em oportunidades suficientes para resolver a eliminatória.
A incapacidade de reação ficou ainda mais evidente no Maracanã. Aos quatro minutos do segundo tempo, Baltasar Rodríguez foi expulso, e o Estudiantes passou a jogar com dez atletas. Era a oportunidade para Leonardo Jardim reorganizar o ataque, ampliar a pressão e explorar os espaços de uma defesa em inferioridade numérica.
O Flamengo, porém, continuou preso ao mesmo roteiro. Repetiu cruzamentos, circulou a bola sem a agressividade necessária e encontrou dificuldades para penetrar na área adversária. A vantagem numérica não provocou a mudança de comportamento que a situação exigia.
As substituições também não alteraram substancialmente o panorama. Bruno Henrique, Gonzalo Plata e Ayrton Lucas entraram na etapa final, mas o time seguiu sem uma resposta coletiva convincente. A cabeçada do equatoriano após passe de Lucas Paquetá esteve entre as melhores chances do Flamengo. Para quem precisava decidir em casa, foi muito pouco.
Leonardo Jardim não pode controlar cada erro individual nem garantir o acerto nas cobranças de pênaltis. Pode, entretanto, ser cobrado pela incapacidade de preparar alternativas e corrigir a equipe durante o confronto. Foi precisamente nesse aspecto que seu trabalho deixou a desejar.
O futuro de Leonardo Jardim entra em xeque
O Estudiantes executou um plano eficiente e avançou. Leonardo Jardim não encontrou uma maneira de neutralizá-lo em dois jogos. A eliminação, portanto, não pode ser explicada apenas pelo desfecho nas penalidades: a insuficiência tática apareceu muito antes da última cobrança.
O sonho do pentacampeonato fica para 2027, mas a discussão sobre a continuidade do treinador começa imediatamente. A decisão cabe à diretoria, que terá de avaliar o trabalho para além da frustração do resultado.
Leonardo Jardim chegou ao confronto com a missão de conduzir o Flamengo à final. Sai dele sem conseguir decifrar o adversário, mesmo depois de 180 minutos e de jogar com superioridade numérica no Maracanã. A eliminação é coletiva, mas a responsabilidade pelas escolhas táticas e pela falta de respostas também é do treinador.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.