Recuo de Infantino expõe crise política na Fifa, e Uefa questiona plano "sórdido"

Desgaste interno ganhou força após a Uefa afirmar ter perdido confiança na atual liderança da entidade máxima do futebol

1 ago 2026 - 14h10
(atualizado às 14h13)
Presidente da Fifa também pretende mudanças para Copa –
Presidente da Fifa também pretende mudanças para Copa –
Foto: Luke Hales/Getty Images - Legenda: Uefa, Concacaf e AFC se opõem a plano de Infantino para Fifa / Jogada10

O abandono da proposta de abrir espaço para investimento de fundos privados na Fifa resultou no enfraquecimento político de Gianni Infantino. Prevendo nova estrutura comercial para administrar torneios como a Copa do Mundo e a de Clubes, a iniciativa provocou reação de federações e confederações, colocando em xeque o cenário para continuidade do dirigente no comando do futebol mundial. 

A Fifa confirmou, em comunicado atribuído a Infantino, que a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) não teria sequência após gerar divisões no ambiente internacional. Encerrado após três dias de tensão nos bastidores, o projeto previa a venda de 20% da participação da empresa a investidores privados.

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A companhia idealizada pelo presidente da Fifa teria controle majoritário da própria organização e participações minoritárias de investidores. Buscando concentrar operações das principais competições da entidade, a proposta tinha uma arrecadação de até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) como meta. 

Presidente da Fifa também pretende mudanças para Copa –
Foto: Alex Wong/Getty Images / Jogada10

Uefa perde a confiança em Infantino

A reação mais forte veio da principal entidade europeia, que declarou não confiar mais na atual liderança da Fifa. A Uefa afirmou que pretende trabalhar com suas associações e outras confederações para analisar o episódio e criar medidas para evitar que situações semelhantes se repitam. Federações de Inglaterra, Noruega e País de Gales apoiaram publicamente a posição e pediram uma revisão do poder da organização.

"É correto que, nos próximos dias e semanas, a Uefa trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações. Isso para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não volte a ocorrer. Essa análise deve ser minuciosa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada. A liderança da Fifa perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol", dizia um trecho do comunicado. 

A oposição ao projeto ganhou força quando a Uefa anunciou que seus 55 representantes boicotariam futuras competições organizadas pela Fifa caso a ideia não fosse descartada. Além da entidade, a Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também rejeitaram a proposta.

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Uefa, Concacaf e AFC representam 143 dos 211 membros da Fifa, o que dá dimensão sobre o peso do cenário atual. Ainda que não tenham adotado uma postura oficial, as confederações da África, da Oceania e da América do Sul convocaram reuniões extraordinárias com seus filiados.

Falas entram em controversa

Em seu posicionamento, a Uefa também resgatou declarações feitas por Infantino durante a eleição de 2016. O objetivo visava justamente questionar a condução atual da entidade. No trecho recordado pela organização, Infantino dizia:

"Temos de ser transparentes. Tenho sido assim nos últimos 15 anos da minha vida na Uefa. Vocês terão de participar diariamente da vida da Fifa", disse Infantino antes de afirmar aos representantes presentes: "O dinheiro da Fifa é o dinheiro de vocês. Não é o dinheiro do presidente".

A Uefa, então, endurece o tom: "Ele não cumpriu nenhuma dessas duas promessas. O acordo sórdido, obscuro e de bastidores que ele arquitetou e tentou impor à força foi tudo, menos transparente".

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Reeleição e cenário de Infantino

Antes da crise, não havia quaisquer candidatos rivais no horizonte capazes de ameaçar a reeleição de Gianni para um quarto mandato. Agora, embora ainda não haja nomes fortes e seja cedo para descartar a permanência do dirigente caso ele decida concorrer, o cenário traz incertezas. 

O suíço chegou ao cargo máximo da Fifa em 2016, após um escândalo de corrupção encerrar os 17 anos de mandato de Sepp Blatter. Desde então, sua capacidade de manter os cofres abastecidos e sua autoridade colocavam Infantino quase como especialista em superar erros e recuar diante de pressões.

Para se reeleger para o quarto mandato, o presidente precisaria obter dois terços dos votos no primeiro turno. Ele também teria chance de se manter no cargo em maiorias simples nas etapas seguintes, caso não conquistasse o necessário logo na etapa inicial.

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