A presidência do Barcelona entrou, oficialmente, em modo eleitoral. Em uma decisão que muda o tabuleiro político do clube, Joan Laporta formalizou nesta segunda-feira a renúncia ao cargo de presidente, cumprindo o que determina o artigo 42.f dos Estatutos da entidade. O gesto não representa um afastamento definitivo, mas sim uma estratégia clara: permitir a sua recandidatura nas eleições para o Conselho de Administração, marcadas para o próximo dia 15 de março.
A renúncia foi apresentada durante a reunião ordinária do Conselho de Administração, na qual também foi publicada a convocação oficial do processo eleitoral. Com isso, o clube inicia um período de transição administrativa que se estenderá até o fim do mandato atual, previsto para 30 de junho, enquanto os sócios se preparam para decidir quem comandará o futuro do Barça a partir do segundo semestre.
Uma saída coletiva e uma gestão interina limitada
Laporta não deixou o cargo sozinho. Parte significativa da atual diretoria também apresentou renúncia para participar da disputa eleitoral. Entre os nomes estão a vice-presidente da Área Institucional, Elena Fort, o vice-presidente da Área Social, Antonio Escudero, além dos gerentes Ferran Olivé, Josep Maria Albert, Xavier Barbany, Miquel Camps, Aureli Mas, Xavier Puig e Joan Soler i Ferré. A movimentação reforça o peso político do grupo e evidencia que a eleição vai além de uma candidatura individual.
Com as saídas oficializadas, o Conselho de Administração segue em funcionamento, porém com uma nova composição. Rafael Yuste assume como presidente interino, tendo Josep Cubells como vice-presidente e secretário, Alfons Castro como tesoureiro, além dos diretores Josep Ignasi Macià, Àngel Riudalbas, Joan Solé i Sust e Sisco Pujol. A missão do grupo será garantir a gestão cotidiana do clube até 1º de julho, quando o novo presidente eleito tomará posse.
Durante esse período de cerca de cinco meses, a atuação da comissão de gestão será restrita a decisões ordinárias, sem margem para ações estruturais que possam comprometer o futuro financeiro ou institucional do Barcelona. Paralelamente, Laporta passa a dedicar-se integralmente à campanha, buscando renovar a confiança dos sócios que o elegeram em 2021 com uma vitória considerada confortável.
A corrida eleitoral já conta com outros três pré-candidatos confirmados. Víctor Font, segundo colocado no último pleito, surge novamente como principal adversário. Também estão na disputa Xavi Vilajoana, ex-diretor na gestão de Josep Maria Bartomeu, e Marc Ciria, completando um cenário que promete semanas intensas de debate e disputa política no Camp Nou.