Uma comissão independente da Premier League considerou o Manchester City culpado de 114 violações financeiras entre 2009 e 2018. O clube usou contratos de patrocínio fictícios e financiamento disfarçado para inflar receitas e reduzir custos em mais de 900 milhões de libras, burlando o fair play financeiro. Sujeito a sanções como multas e perda de pontos, que serão definidas em nova audiência, o City alega inocência e anunciou que recorrerá da decisão.
A Premier League divulgou nesta terça-feira (29) um veredicto de uma comissão independente que considerou o Manchester City culpado de todas as 114 acusações relacionadas a graves violações das regras financeiras da competição entre as temporadas 2009/10 e 2017/18. A decisão também reconheceu a maioria das acusações de falta de cooperação do clube durante a investigação.
Segundo a entidade, o City utilizou contratos de patrocínio fictícios para inflar artificialmente as receitas e reduzir os custos registrados nas contas. A comissão apontou ainda que parte desses acordos fazia parte de um esquema de financiamento disfarçado, no qual empresas patrocinadoras pagavam apenas uma parcela dos valores, enquanto o restante vinha da Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG), ligada à propriedade do clube.
Além disso, a comissão concluiu que o Manchester City apresentou contas com informações incorretas e ocultou a situação financeira real de auditores e órgãos reguladores. De acordo com a Premier League, os mecanismos identificados teriam inflado receitas e reduzido despesas em mais de 900 milhões de libras esterlinas (R$ 6,3 bilhões) durante o período analisado.
Fraude serviu para driblar o fair play financeiro
A investigação também apontou que, caso os acordos fossem registrados corretamente, o clube teria ultrapassado de forma significativa os limites de gastos (fair play financeiro) da Premier League e da Uefa. A comissão ainda considerou comprovadas três das quatro acusações relacionadas à falta de cooperação do City durante o processo.
Agora, a principal questão envolve a punição. A Premier League informou que a definição da sanção acontecerá em uma audiência separada diante da comissão independente. As regras permitem medidas como multas, perda de pontos e outras sanções esportivas. O City, por sua vez, tem até 2 de outubro para apresentar recurso contra a decisão.
O caso começou com uma investigação da Premier League em dezembro de 2018. Mas só chegou à comissão independente após uma denúncia formal em fevereiro de 2023. A audiência durou 42 dias e terminou em dezembro de 2024. O processo ainda não terminou, já que o clube pode recorrer e a punição permanece pendente.
Clube emite nota e fala em 'se defender'
Logo depois do anúncio da Premier League, o Manchester City emitiu um comunicado se dizendo "desapontado e surpreso" com o que foi divulgado.
"O Clube é inocente das acusações feitas pela Premier League e existe um conjunto abrangente de provas irrefutáveis que sustentam todas as suas posições relativas a este caso. O Clube será, portanto, implacável e, quando necessário, proativo em todos os fóruns regulatórios e legais apropriados", informa um trecho do texto.
"O processo da Premier League continua em andamento, com elementos importantes ainda por concluir. O Manchester City, assim, vai recorrer das vias legais disponíveis, com base no facto de a decisão conter erros materiais evidentes, de direito, de princípio e de facto, e ser insegura", completa a nota.
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