Inter usa áudio falso em julgamento que determinou suspensão de Victor Gabriel até retorno de Pec

Defesa da equipe colorada utiliza gravação feita por página de paródias de rede social; advogado nega má-fé e fala em 'falta de checagem'; clube e escritório reconhecem falha; OAB não se manifesta

28 jul 2026 - 15h17
(atualizado às 18h35)

A audiência que determinou a suspensão do zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, pela fratura causada no atacante Gabriel Pec, do Cruzeiro, ficou marcada pela exibição de um áudio falso pela defesa da equipe colorada durante a sessão, ocorrida na manhã desta terça-feira.

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O Internacional e o escritório Cravo, Pastl e Balbuena Advogados Associados, responsável pela defesa do clube colorado, se manifestaram por meio de nota, em que reconhecem a falha na utilização do conteúdo e indicam a pretensão de "aprimorar ainda mais seus métodos para futuros julgamentos." (Leia a nota completa abaixo)

O Estadão a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para comentários sobre o tema, mas ainda não obteve retorno. De acordo com a CBF, nenhum dos clubes envolvidos no julgamento solicitou acesso ao áudio do VAR.

A gravação apresentada pelo advogado Rogério Pastl era uma publicação de uma página que faz paródias de supostas conversas entre a arbitragem e os integrantes do VAR. Parte da defesa do jogador foi embasada no diálogo do vídeo.

A auditora Aline Gonçalves fez o questionamento sobre a legitimidade da prova apresentada antes de dar o seu voto. "Estão circulando notícias que esse áudio não é verídico e eu gostaria de confirmar a fonte real de onde foi extraído", afirmou.

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O advogado do Inter negou ter utilizado uma prova falsa, mas admitiu que possa ter havido algum engano. "Eventualmente pode ter acontecido alguma inadvertência, alguma falta de checagem. Em nenhum momento houve má fé por parte do Internacional ou da defesa. Vamos tentar esclarecer isso no período que se segue".

Diante do impasse, cogitou-se até mesmo o adiamento do julgamento, mas ficou definido então que a prova fosse desconsiderada no voto dos auditores.

Gabriel Pec teve uma fratura na perna esquerda após entrada forte de Victor Gabriel e pode ficar fora de combate por até quatro meses.
Gabriel Pec teve uma fratura na perna esquerda após entrada forte de Victor Gabriel e pode ficar fora de combate por até quatro meses.
Foto: Reprodução/Premiere / Estadão

Ao final do julgamento, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu suspender o zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, até que o atacante Gabriel Pec, do Cruzeiro, retorne aos treinamentos pelo lance que envolveu os dois jogadores no Campeonato Brasileiro.

Gabriel Pec teve de ser submetido à cirurgia no sábado, logo após a partida. Embora o Cruzeiro não tenha revelado o tempo de recuperação, o período estimado para a volta do atleta é de até quatro meses. A penalização aplicada pelo STJD tem um prazo máximo de 180 dias.

Entenda o porquê da punição a Victor Gabriel por lance com Gabriel Pec

Victor Gabriel foi enquadrado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de jogada violenta e prevê um gancho de uma a seis partidas. O STJD, no entanto, fez a denúncia com o agravante prevista no parágrafo 3º do mesmo artigo.

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Nesse caso, se o prejudicado permanecer impossibilitado de praticar a modalidade por causa da jogada violenta grave, o infrator fica suspenso até que o atingido possa voltar a treinar dentro do prazo de 180 dias. Ainda cabe recurso da decisão ao Pleno do STJD.

Manifestação conjunta do Internacional e do escritório Cravo, Pastl e Balbuena Advogados Associados

O escritório Cravo, Pastl e Balbuena Advogados Associados e o Sport Club Internacional vêm a público para prestar esclarecimentos sobre a documentação apresentada na defesa do atleta Victor Gabriel em processo perante o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Com 19 anos de serviços prestados ao Clube, ao longo dos quais sempre atendeu o Sport Club Internacional de forma idônea, correta e comprometida, o escritório acabou se utilizando, na busca da defesa do atleta, de um áudio que circulava nas redes sociais.

Tanto o escritório quanto o Inter ressaltam que jamais tiveram a intenção de praticar qualquer ato motivado por má-fé no âmbito do processo em questão. Houve, sim, uma falha reconhecida na captação e utilização do conteúdo apresentado na defesa do jogador, imediatamente assumida mediante pedido expresso de retirada do áudio dos autos.

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O escritório, com extensa atuação no segmento de Direito Desportivo reconhece o equívoco, assim como pretende aprimorar ainda mais seus métodos para futuros julgamentos.

O Sport Club Internacional e o escritório Cravo, Pastl e Balbuena reafirmam seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às instituições que regem o futebol brasileiro.

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