A FIFA estuda propor ao COI a restrição do futebol feminino olímpico à categoria sub-23, visando aliviar o calendário apertado e a sobrecarga física das atletas com a expansão de novos torneios. Diferente do masculino, a categoria feminina nunca teve limite de idade. Sem proposta formalizada e sob risco de resistência comercial e esportiva, a mudança não afetará Los Angeles 2028 — que terá recorde de 16 equipes —, sendo viável apenas a partir dos Jogos Olímpicos de Brisbane, em 2032.
A FIFA pretende discutir com o Comitê Olímpico Internacional (COI) a possibilidade de estabelecer um limite de idade para o torneio de futebol feminino dos Jogos Olímpicos. A ideia é restringir a participação de atletas à categoria sub-23, seguindo um modelo semelhante ao que já existe na competição masculina. A iniciativa tem como justificativa a preocupação com o calendário cada vez mais apertado e a sobrecarga física das principais jogadoras do futebol mundial.
A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian nesta quinta-feira (5). Segundo a publicação, representantes da FIFA demonstraram interesse em abrir conversas com o COI sobre uma possível mudança nas regras da modalidade. Entretanto, ainda não existe uma proposta oficial, e qualquer alteração dependerá de consultas com federações nacionais, atletas e demais envolvidos no futebol feminino.
Caso a ideia avance, a mudança não deverá afetar os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Os critérios de elegibilidade para a próxima edição já foram estabelecidos, e algumas regiões também iniciaram seus processos classificatórios. Dessa forma, uma eventual implementação poderia acontecer somente a partir dos Jogos de Brisbane, em 2032.
Sobrecarga no calendário preocupa a FIFA
Um dos principais argumentos para a possível mudança está relacionado ao aumento do número de partidas disputadas pelas atletas profissionais. Nos últimos anos, o futebol feminino passou por uma expansão significativa, com mais competições internacionais, torneios continentais e compromissos pelos clubes.
O crescimento da modalidade trouxe novas oportunidades comerciais e esportivas, mas também aumentou a preocupação com a recuperação física das jogadoras. As principais estrelas do futebol mundial precisam dividir espaço entre seleções nacionais e equipes profissionais, muitas vezes com períodos reduzidos de descanso.
A própria FIFA também está envolvida na ampliação do calendário. A entidade prepara a primeira edição da Copa do Mundo de Clubes feminina, prevista para janeiro de 2028, nos Estados Unidos, com a participação de 16 equipes. A competição acontecerá poucos meses antes dos Jogos Olímpicos de Los Angeles e poderá provocar conflitos com os campeonatos nacionais europeus.
O cenário gera questionamentos sobre a quantidade de torneios organizados e a necessidade de estabelecer limites para evitar que as atletas sejam submetidas a uma sequência excessiva de partidas.
Futebol feminino olímpico nunca teve limite de idade
Diferentemente da competição masculina, o torneio feminino de futebol nas Olimpíadas sempre permitiu a participação de jogadoras sem restrições etárias. A modalidade estreou nos Jogos de Atlanta, em 1996, quando o futebol feminino ainda estava em processo de consolidação no cenário internacional.
No masculino, a regra sub-23 foi introduzida em 1992. Desde 1996, cada seleção também pode convocar até três jogadores acima dessa faixa etária, permitindo que atletas experientes participem da competição.
A FIFA considera que um modelo semelhante poderia ajudar a reduzir a pressão sobre as principais jogadoras profissionais, além de abrir mais espaço para o desenvolvimento de jovens talentos.
Entretanto, a proposta também representa uma mudança significativa na identidade do torneio feminino, que atualmente reúne algumas das maiores estrelas do esporte mundial.
Proposta pode enfrentar resistência do COI e das jogadoras
Apesar dos argumentos relacionados ao calendário, a possível restrição de idade poderá provocar resistência entre atletas, federações e dirigentes. O futebol feminino olímpico é considerado uma das competições mais importantes da modalidade e possui grande relevância esportiva e comercial.
Os Jogos de Paris, em 2024, reforçaram essa importância, com a seleção dos Estados Unidos conquistando a medalha de ouro. A equipe norte-americana contou com atletas experientes e referências internacionais, demonstrando o peso que as principais estrelas possuem na disputa olímpica.
Outro ponto importante envolve os interesses comerciais do próprio COI. O futebol feminino apresenta forte apelo de público em mercados como Estados Unidos, Europa e Austrália, e a presença das principais jogadoras é considerada um dos fatores de valorização do torneio.
Los Angeles terá mais seleções femininas do que masculinas
Enquanto a discussão sobre a idade dos participantes permanece em estágio inicial, uma mudança importante já está confirmada para os Jogos de Los Angeles, em 2028.
Pela primeira vez na história olímpica, o torneio feminino de futebol terá mais seleções participantes do que a competição masculina. Serão 16 equipes femininas, contra 12 masculinas.
A ampliação representa mais um avanço na presença do futebol feminino dentro do programa olímpico e reforça a importância comercial e esportiva da modalidade.
Por enquanto, a FIFA ainda precisa iniciar um processo de diálogo com o COI e os demais envolvidos antes de qualquer decisão. A possibilidade de limitar a competição à categoria sub-23 permanece em discussão, sem prazo definido para uma eventual aprovação.