Fifa sabia e deixou jogador irregular atuar nas eliminatórias e Copa do Mundo, revela jornal

De acordo com o 'The New York Times', goleiro Lionel Mpasi, da República Democrática do Congo, não havia concluído corretamente o processo necessário para mudar sua nacionalidade esportiva

6 out 2026 - 09h37
(atualizado às 10h57)
Resumo
Segundo o The New York Times, a Fifa permitiu que o goleiro Lionel Mpasi atuasse de forma irregular pela República Democrática do Congo nas Eliminatórias e na Copa do Mundo de 2026. Mesmo alertada por uma denúncia da Nigéria sobre a troca incompleta de nacionalidade esportiva do atleta, que jogou pela base da França, a entidade optou por não punir a seleção congolesa, alegando prazo expirado. Mpasi disputou o Mundial, onde a equipe avançou da fase de grupos e caiu contra a Inglaterra.

As polêmicas envolvendo a Fifa e o mandato de Gianni Infantino ganharam novo capítulo nesta terça-feira, 6. Segundo publicação do The New York Times, a entidade identificou um problema na documentação do goleiro Lionel Mpasi, da República Democrática do Congo, mas permitiu o atleta atuar de maneira irregular durante as eliminatórias africanas à Copa do Mundo de 2026. A seleção acabou classificada ao Mundial.

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Mpasi jogou nas categorias de base da França e, apesar de também possuir nacionalidade democrático-congolesa, não havia concluído corretamente o processo necessário para trocar de nação esportiva e passar a defender a seleção africana.

Lionel Mpasi defendeu a seleção da República Democrática do Congo na Copa do Mundo de 2026.
Lionel Mpasi defendeu a seleção da República Democrática do Congo na Copa do Mundo de 2026.
Foto: Reprodução/Lionel Mpasi via Instagram / Estadão

A situação foi identificada pela própria Fifa durante uma revisão provocada por uma denúncia apresentada pela Nigéria. Os nigerianos foram eliminados pela RD Congo na repescagem africana e questionaram a elegibilidade de jogadores congoleses.

Segundo os documentos, a Fifa constatou que a Federação Democrático-Congolesa de Futebol iniciou, em 2021, o processo para que Mpasi pudesse trocar a França pelo país africano, mas a documentação necessária não havia sido concluída

A análise da entidade ocorreu antes da repescagem intercontinental. Ainda de acordo com a publicação, os responsáveis pelo caso chegaram a considerar diferentes possibilidades para solucionar a situação. Entre as alternativas discutidas estavam atribuir a vitória à Nigéria; aplicar uma multa à RD Congo; substituir a equipe democrático-congolesa pela nigeriana na repescagem contra a Jamaica ou simplesmente não tomar nenhuma medida.

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A última opção acabou prevalecendo, com a alegação de que a denúncia ocorreu fora do prazo. Sem sofrer qualquer punição esportiva, a RD Congo enfrentou a Jamaica na repescagem intercontinental e venceu, garantindo a classificação para a Copa.

Em resposta, a Fifa afirmou que seus órgãos jurisdicionais são autônomos e que os casos são analisados com base nos regulamentos aplicáveis e nos fatos apresentados em cada processo. A entidade também declarou que o presidente Infantino não teve participação na decisão relacionada à reclamação da Nigéria.

Mpasi integrou o elenco da RD Congo na Copa. Na fase de grupos, a seleção africana perdeu para Portugal e Colômbia, mas venceu o Uzbequistão e avançou para a fase seguinte. No mata-mata, foram eliminados pela Inglaterra.

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