O jogo entre França e Iraque, válido pela 2ª rodada do Grupo I da Copa do Mundo 2026, foi paralisado após uma tempestade atingir o Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira, 22. Este é o primeiro jogo da competição que sofre paralisação depois de alerta meteorológico. O Estadão explica como funciona o protocolo climático que interrompe jogos da Copa.
Após o fim do primeiro tempo, a Fifa decidiu que a partida deveria ser interrompida. A França vencia por 1 a 0, com gol marcado por Kylian Mbappé.
Antes mesmo do início da Copa, calor, umidade, raios e relâmpagos já eram fatores que poderiam interromper jogos da competição. Muitas das partidas serão disputadas em cidades acostumadas a temperaturas altíssimas no verão, agravadas por uma umidade sufocante. Nos Estados Unidos, as tempestades provocam interrupções de eventos esportivos ao ar livre.
As paralisações em razão do mau tempo são comuns em solo americano, por orientação do Serviço Nacional de Meteorologia do país. As decisões são tomadas com base no protocolo desenvolvido pela Fifa, calcado nas recomendações do serviço de meteorologia dos EUA, que determina, em seu programa nacional, a execução de um "plano de segurança contra raios, cumprido sem exceções".
Em geral, o protocolo prevê pausa obrigatória de 30 minutos quando uma descarga elétrica cai em um raio aproximado de 13 a 16 quilômetros. Cada novo relâmpago provoca outra interrupção de meia hora.
O Mundial de Clubes de 2025 registrou atrasos significativos em seis partidas devido a "severas condições climáticas", algo que cientistas preveem que pode se tornar cada vez mais comum à medida que os gases de efeito estufa continuem aquecendo o planeta.
Técnicos e jogadores tiveram de lidar com isso no Mundial de Clubes e o mesmo deve se repetir na Copa do Mundo. Será um desafio ainda maior diante da possibilidade de jogos encavalados no torneio que tem 48 seleções pela primeira vez.
Cientistas manifestam preocupação de que a mudança climática possa introduzir incertezas nos padrões de tempestades e possivelmente criar condições que tornem os raios ainda mais frequentes.
A especialista em clima Kelsey Malloy, da Universidade de Delaware, observou que "ainda" não foram "detectadas tendências fortes", mas, em geral, "espera-se que os raios aumentem" em algumas partes dos Estados Unidos, principal sede da Copa do Mundo.
Especialistas garantem que os estádios costumam estar bem protegidos com medidas como para-raios.
"Muita gente talvez imagine que, se não consegue ver a tempestade, não vê os raios e ainda não ouviu os trovões, então não está sob uma ameaça real", disse ela à AFP. "Mas os raios podem cair a quilômetros de distância do local exato da tempestade".
Quatro dos 16 estádios da Copa têm cobertura: o Mercedes-Benz Stadium (Atlanta), o AT&T Stadium (Dallas), o NRG Stadium (Texas) e o BC Place (Vancouver), além do SoFi Stadium, em Los Angeles, o equipamento esportivo mais caro do planeta e que dispõe de cobertura retrátil.
Foi uma promessa do presidente da Fifa, Gianni Infantino, levar mais jogos para estádios cobertos de modo a reduzir a preocupação com atrasos causados por tempestades ou calor extremo.
Mas a maioria das arenas são a céu aberto. Isso pode levar à suspensão de partidas por causa de tempestades e expor jogadores e torcedores a temperaturas extremas.
Segundo relatório da World Weather Attribution (WWA), um quarto das partidas desta Copa do Mundo poderá acontecer em condições de calor muito difíceis de suportar.
Devido ao aquecimento global, é muito provável que o problema se agrave em relação à última Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, em 1994.
A Fifa introduziu duas pausas para reidratação, de três minutos, na metade do primeiro e do segundo tempo de cada partida. É a primeira Copa do Mundo em que a entidade as estabelece de forma sistemática.
A Fifa afirmou também "seguirá supervisionando as condições em tempo real, integrando a temperatura do termômetro de bulbo úmido e o índice de calor, e está preparada para aplicar os protocolos de contingência estabelecidos, caso ocorram episódios de condições meteorológicas extremas"./COM INFORMAÇÕES DA AFP