A Copa do Mundo retornou à América do Norte após 32 anos, e apesar da previsão de uma competição perfeita, baseada no famoso jeito americano de realizar eventos, o que se viu foi um campeonato com muitas falhas na organização e com interferências externas em um volume que jamais se viu.
O Terra lista abaixo os cinco piores fatos relacionados à Copa 2026.
1 – Falta de informação e desorganização nos estádios
Talvez este fato tenha passado desapercebido por quem acompanhou a Copa do Mundo à distância. Mas para quem teve a oportunidade de estar nos jogos, o que se viu, particularmente nos Estados Unidos, foi uma grande desorganização nos estádios.
O problema já começava pelo acesso às arenas. Grande parte delas não ficavam exatamente nas sedes, mas sim em cidades vizinhas, como Foxborough – local do estádio de Boston – ou em regiões distantes das cidades – como em Kansas City. Nem todas tinham acesso via transporte público, e mesmo quando tinham, algumas passaram por uma revisão dos preços, como no caso de Nova Jersey, em que o metrô a partir do centro de Nova York saltou de cerca de 15 dólares para mais de 100 dólares.
Dentro dos estádios, a situação era ainda pior, principalmente para a imprensa: filas enormes de controle de segurança, falta de comunicação visual para encontrar entradas específicas, desconhecimento sobre áreas de transporte compartilhado e, sobretudo, desinformação entre funcionários e voluntários.
2 – Americanização do futebol
País conhecido por vários esportes, mas não pelo futebol masculino, os Estados Unidos tentaram levar para a Copa atrativos que funcionam em outras modalidades. Foi o caso das cheerleaders que apareciam nas paradas para hidratação, do show do intervalo na final e a tentativa de associar marcas a cada momento específico do espetáculo.
Não se trata de demonizar o interesse capitalista no esporte. Mas a "americanização" só deu certo entre os locais, mas não pegou bem entre torcedores de outros países e principalmente para quem acompanhou os jogos pela TV e teve que aturar tantas interrupções e propagandas.
3 – Controle de Trump sobre a Fifa
A interferência do governo dos Estados Unidos sobre a Copa do Mundo não foi apenas indireta, foi explícita. Representantes da Casa Branca admitiram, por exemplo, pressão sobre a Fifa para cancelar um cartão vermelho para o time americano. A decisão escandalosa foi alvo de críticas de torcedores e seleções, e só não manchou totalmente a Copa porque a seleção norte-americana logo foi eliminada.
A influência de Donald Trump também provocou situações constrangedoras e problemas diplomáticos, como a proibição da entrada do árbitro somali Omar Artan nos Estados Unidos, impedindo-o de apitar. Outros atletas, profissionais de imprensa e torcedores também tiveram vistos recusados sem razões claras, e a Fifa se eximiu de qualquer responsabilidade, alegando que se tratava de uma questão puramente de soberania.
A presença de Trump na final da Copa terminou com o presidente americano sendo bastante vaiado pelo público no Metlife Stadium ao entregar a taça para o capitão da Espanha, Rodri, na final contra a Argentina.
4 – Preços altos e falta de interesse local
Os preços foram o principal entrave para quem queria acompanhar a Copa do Mundo. Os ingressos mais baratos para as partidas partiam de 100 dólares, o que limitou especialmente a entrada de imigrantes nas arenas.
Como já citado, o transporte também sofreu alteração em algumas sedes, como em Nova Jersey, encarecendo ainda mais o custo da Copa.
Além disso, se no México a Copa do Mundo realmente pegou, nos Estados Unidos praticamente nem se sabia que estava acontecendo o Mundial. Nova York, por exemplo, só respirava Copa graças aos latinos, especialmente brasileiros, mexicanos, argentinos e latinos.
No Canadá, também fruto do desinteresse e dos preços altos, vários jogos ficaram com parte das arquibancadas vazias, chamando atenção nas transmissões televisivas.
5 – 45 dias de Copa do Mundo
A ampliação de 32 para 48 seleções foi bastante criticada antes da Copa do Mundo, mas a maioria dos torcedores acabou gostando de conhecer novas equipes. O problema foi que com a saída das seleções, o Mundial mais longo foi ficando desinteressante para quem não estava mais envolvido.
Para se ter ideia, os semifinalistas foram definidos no dia 11 de julho, e a Copa terminou oito dias depois. Ou seja, por oito dias, apenas espanhóis, argentinos, franceses e ingleses – e torcedores fanáticos de futebol – estavam realmente interessados em continuar acompanhando os jogos.
Para os jogadores, estender a Copa também significou ficar mais tempo longe de casa e ficar quase sem descanso entre as temporadas de futebol na Europa.