‘Alô Virginia!’, anunciam Rafael Portugal e Ed Gama para chamar o Diário de Virginia no Domingão. Nesse exato momento, as redes sociais já engatilham as armas para o linchamento virtual da influenciadora. Sinceramente? O quadro é fraco, mas está longe de ser a pior heresia da história da TV aberta. É apenas mais um conteúdo mediano em um domingo que nunca foi conhecido pela profundidade.
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Primeiro, precisamos desenhar o óbvio: Virginia Fonseca não faz jornalismo na Globo. O quadro mostra apenas a sua rotina nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo, com o mesmíssimo formato de VTs que ela já apresentava no SBT, onde, curiosamente, brilhava na audiência e sofria bem menos ataques. Ela não está roubando a vaga ou o crachá de nenhum grande repórter.
O conteúdo é pobre? Sim. É basicamente ela e Lucas Guedez gastando tempo e vivendo uma realidade paralela. Mas, desde quando a TV de domingo virou sinônimo de arte? Luciano Huck, Marcos Mion, Rodrigo Faro, Eliana e Celso Portiolli sustentam suas grades há anos com atrações tão vazias e superficiais quanto.
Aliás, a participação de Lívia Andrade, no próprio Domingão, entrega exatamente o mesmo nível de irrelevância artística, sem que ninguém monte um acampamento virtual de protesto. O padrão dos fins de semana sempre foi a frivolidade. Por que só a presença de Virginia causa tanta repulsa?
O que realmente deveria incomodar nessa campanha de cancelamento é a hipocrisia de quem finge defender o jornalismo sério. Se o assunto é a banalização da cobertura da Copa, por que o foco não está em Romário?
O ex-jogador, atualmente Senador da República, simplesmente deixou o estado do Rio de Janeiro (que o elegeu) em segundo plano para atuar como repórter de campo na Cazé TV. É um desvio de função institucional bizarro. Para piorar, Romário acumula momentos constrangedores na beira do gramado, em situações embaraçosas com Fernanda Gentil, esta sim, uma jornalista qualificada que precisa carregar a transmissão nas costas.
Dizer que Virginia tira o emprego de profissionais é uma falácia. Nenhum jornalista de hard news estaria no Domingão gravando entretenimento de viagem.
A perseguição fica escancarada quando olhamos para a zona mista dos estádios. Quem de fato está lá, disputando espaço físico com repórteres credenciados para fazer o meia Lucas Paquetá fazer dancinha, é o Chico Moedas. Mas, ele sofre bem menos críticas. Muitos acham engraçado e aplaudem sua presença.
No fim das contas, o Diário de Virginia é apenas mais um quadro esquecível em um programa repleto de quadros rasos. Quem enxerga ali o fim do jornalismo está sofrendo de um hiperfoco obsessivo. O problema da TV está longe de ser uma influenciadora fazendo vlog de viagem.