Marcação alta, contra-ataque, posse de bola e gol de longe: tendências de sucesso da Copa confirmam por que Brasil foi tão mal

Time de Carlo Ancelotti adotou estratégias diferentes daquelas vistas como bem sucedidas no Mundial, confirmando desempenho ruim

20 jul 2026 - 04h58
Gols de Haaland expuseram falhas do Brasil: sem posse de bola, sem eficácia nos contra-ataques e com deficiências na marcação
Gols de Haaland expuseram falhas do Brasil: sem posse de bola, sem eficácia nos contra-ataques e com deficiências na marcação
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

O Comitê Técnico da Fifa divulgou uma análise sobre as principais tendências táticas, técnicas e físicas da Copa do Mundo. E em quase todas as categorias, a Seleção Brasileira fez o contrário do que as melhores equipes fizeram, o que confirma com dados o desempenho ruim dos comandados do técnico Carlo Ancelotti.

Marcação alta e posse de bola

O comitê liderado pelo ex-técnico Arsene Wenger mostrou que uma das tendências usadas pelas seleções de mais sucesso, especialmente a campeã Espanha, foi:

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  • forçar a marcação desde a saída de bola da defesa adversária, sufocando antes da linha de meio de campo e iniciando a pressão já com dois atacantes.

Em uma maneira de liberar Vini Junior – e Neymar, quando entrava – para poderem pensar apenas no ataque, o Brasil fez pouca pressão alta nas partidas. Entre os atacantes, apenas Rayan se destacou nesse quesito, sendo responsável por roubadas de bola que resultaram em gol contra Japão e pênalti contra a Noruega.

Sem forçar o erro adversário, o Brasil se contentou em entregar a posse de bola nas partidas, chegando ao vexame já destrinchado de todas as maneiras contra a Noruega. A Seleção abriu mão de jogar. E quando tentou, esbarrou na marcação alta de qualidade, como fez o Japão no primeiro tempo da segunda fase.

“O segundo atacante precisa ser alguém que feche com o meio campo também. Odegard [da Noruega] foi bem nesse aspecto. Não existe um atacante puro, o que estamos falando aqui é de estrutura, com dois jogadores centrais, sendo que um precisa ser mais flexível”, explicou Wenger.

Bloco baixo de marcação e contra-ataque

Embora a marcação alta tenha sido a principal tendência, o Comitê também apontou como boa tática:

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  • o bloco baixo de defesa, que consiste em recuar o máximo possível a linha defensiva próximo ao goleiro, confiar na zaga e puxar contra-ataques fulminantes.

Para alguns times, como a semifinalista França, a tática funcionou. Mas como Arsene Wenger explicou, a estratégia dependia de qualidade na saída de bola e excelência nas definições. Não foi o que aconteceu com o Brasil, que quando abdicou da posse, ou não segurou o adversário, como contra a Noruega, ou não conseguiu marcar no contra-ataque, como contra o Marrocos. Gabriel Magalhães foi líder de passes do time, mas a saída de bola não teve resultados práticos.

“Muitas seleções nessa Copa usaram bloco baixo para fazer uma boa defesa, se tornando mais compactos. Isso também cria oportunidades de fazer transições rápidas”, explicou o argentino Pablo Zabaleta, membro do comitê da Fifa.

“A França trabalhou bem nesse modelo porque tem jogadores muito técnicos e jogadores muito rápidos”, ilustrou o brasileiro Gilberto Silva.

Progressão dos laterais e profundidade pelo meio

Para ilustrar a importância dos laterais, o Comitê da Fifa destacou:

  • as atuações dos espanhóis Cucurella e Cubarsi, que estão entre os destaques defensivos e ofensivos do time campeão.

O jogo do Brasil focado em pontas abertos pelos extremos do campo, sobretudo nas partidas com quatro atacantes, obrigou os laterais a ficarem presos na defesa e pouco explorou o centro do campo. Douglas Santos fez uma boa Copa, mas com mais força defensiva. E Danilo, que nem lateral é mais, também não se atreveu no ataque.

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Da mesma maneira, a Fifa elogiou:

  • a progressão central da outra finalista, Argentina, especialmente com De Paul fazendo os lançamentos em profundidade entre as linhas defensivas.

No Brasil, Bruno Guimarães até se destacou nesse quesito, mas os atacantes só conseguiram aproveitar quando o Brasil jogava no 4-4-2, e não no 4-3-3.

Gols de fora da área

Outra tendência notada pelo Comitê foi:

  • o aumento do número de gols marcados de fora da área. Segundo a Fifa, antes da final e da decisão de terceiro lugar, 16% dos gols do Mundial 2026 haviam sido marcados em chutes de longa distância, o dobro do que aconteceu em 2022.

O Comitê explicou que os gols de longe foram uma forma que as seleções encontraram para furar as marcações pesadas dentro da área.

Nesse quesito, o Brasil terminou a Copa apenas na 17ª colocação, com somente 23 chutes de fora da área e nenhum gol. Pior, ainda levou um gol do Japão dessa maneira.

“Muitos times estavam defendendo em bloco baixo. Fizemos uma análise de que não dava para passar pelas laterais e pelo centro, por onde não havia espaço, com 8 ou 9 dentro da área, então tinha uma receita para o gol fora da grande área. Porque quando o goleiro tem 7, 8, 9 jogadores na sua frente, isso dificulta a defesa da longa distância”, explicou o ex-técnico alemão Jurgen Klinsmann. “Foi interessante ver isso, porque um jogador que tenta marcar por fora da grande área mostra coragem. Vimos gols muito bonitos. Isso será uma receita para o futuro, porque muitos times vai opiar essa tendência, principalmente no futebol de clubes.”

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Fonte: Portal Terra
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