A remada viking dos noruegueses pode ser o movimento mais emblemático desta Copa do Mundo, mas o apoio europeu mais apaixonado provavelmente é o dos escoceses. Depois de dominarem Boston nas duas primeiras semanas do Mundial, para os jogos contra Haiti e Marrocos, desta vez a onda azul tomou as ruas de Miami Beach na véspera da partida contra a Seleção Brasileira.
Vestidos com suas camisas oficiais 1 e 2, os escoceses conseguiram nesta terça-feira, 23, fazer um dos lugares mais latinos dos Estados Unidos falar mais inglês do que espanhol. Uma caminhonete levada pelos britânicos com uma réplica gigante da Copa do Mundo virou ponto turístico.
Segundo a agência France Press, estima-se que entre 40 e 50 mil torcedores escoceses tenham viajado aos Estados Unidos para acompanhar o retorno de sua seleção a uma Copa do Mundo após 28 anos de jejum. Uma grande parte deles fará frente à provável maioria brasileira no Hard Rock Stadium nesta quarta, já que o estado da Flórida concentra cerca de 300 mil imigrantes do Brasil, quase 100 mil deles na Grande Miami.
Reunidos sob o lema ‘Sem Escócia, Sem Festa’, os escoceses fizeram um desfile de quase 40 minutos na tarde de terça pela Ocean Drive, principal via de Miami Beach. Carregavam bandeiras, gaitas de fole e bochechas rosadas, acarinhadas pela sensação térmica de 42ºC na cidade. Ao redor, nos bares espalhados pela via, os olhares se dividiam entre a onda escocesa e os telões que mostravam a goleada de Portugal sobre Uzbequistão, com os 2 primeiros gols de Cristiano Ronaldo na Copa 2026.
5 a 0 Escócia. Sério?
Por falar em goleada, tem escocês bem animado para o jogo desta quarta no Hard Rock Stadium. "Eu vou de 5 a 0 para a Escócia", disse à reportagem do Terra um animado torcedor, apoiado por um colega: “A Escócia tem um bom time”.No mesmo grupo, o terceiro elemento foi mais realista: "Brasil feliz, Escócia feliz, 1 a 1. Um empate seria bom, sim".
A torcida pelo empate veio carregada de lembranças sobre o esquadrão brasileiro que ganhou o tricampeonato no México. “Minha primeira Copa do Mundo eu assisti em 1970, e desde que vi aquilo, o Brasil sempre foi número 1”, lembrou. “Todos os jogadores eram fantásticos, e aquilo ficou na minha mente para sempre. Sempre espero que o Brasil seja o melhor time. Às vezes não acontece, mas na maioria das vezes, eles tentam jogar um bom futebol.”
O empate até pode classificar as duas equipes, mas também pode entregar de mão beijada o primeiro lugar do grupo C para Marrocos, que vai enfrentar o Haiti. Sul-americanos e africanos chegam à última rodada com 4 pontos, e os europeus têm 3.
Para os torcedores, a “onda escocesa” é uma manifestação de apoio à pátria. Não à toa, eles se intitulam Exército de Tartan, numa referência ao tecido usado para produzir os kilts, as famosas saias escocesas masculinas.
“É magnífica, mas não é surpreendente, porque onde quer que a Escócia vá, há grandes quantidades de torcedores, muitas cores, muita alegria”, afirmou um torcedor. “E não é só pelo futebol. Nós somos um país apaixonado e uma nação unida.”