A dupla de zaga formada por Gabriel Magalhães e Marquinhos encerrou a participação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 de forma disciplinada e sem entradas violentas nos adversários. Juntos, os defensores cometeram apenas uma falta ao longo de toda a campanha da Seleção e registraram mais de 96% de aproveitamento nos passes, além de deixarem o torneio sem receber cartões.
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A ausência de faltas e cartões, no entanto, não se refletiu em um grande desempenho coletivo do time. Eliminado pela Noruega nas oitavas de final, o Brasil igualou sua pior campanha em Copas do Mundo desde 1990, quando caiu para a Argentina na mesma fase, após histórico lance de Diego Maradona, que carregou a bola desde o meio de campo e colocou Claudio Caniggia na cara do gol para marcar.
Dos dois zagueiros, apenas Gabriel Magalhães cometeu uma infração durante o Mundial e não foi advertido. O defensor ainda sofreu três faltas. Marquinhos, por sua vez, passou toda a competição sem cometer faltas, sofreu duas e também terminou sem cartões.
Magalhães encerrou a Copa do Mundo com 96% de precisão nos passes, enquanto Marquinhos alcançou 97%, índices que refletem a segurança da dupla na construção das jogadas desde o campo de defesa. Entretanto, a qualidade no passe contrastou com a estratégia de jogo de Carlo Ancelotti, que optou por não ter a bola, ficando com apenas 34% de posse de bola, contra 66% dos noruegueses.
Enquanto a dupla de zaga quase não precisou recorrer às faltas, o meio-campo brasileiro concentrou a maior parte das infrações da equipe, indicando ser o setor que mais combateu as jogadas dos adversários.
Casemiro foi o que mais fez faltas no setor, com seis, sofrendo também seis, e recebendo dois cartões amarelos, contra Marrocos e Japão. Lucas Paquetá fez três faltas, sofreu seis e terminou a competição sem advertências. Bruno Guimarães cometeu quatro faltas, sofreu sete e também não recebeu cartões. O lateral-direito Danilo foi o jogador do time que mais fez falta, com 7, sendo punido com dois cartões amarelos, contra Escócia e Japão.
A disciplina dos zagueiros brasileiros também se destaca na comparação com outras seleções que seguem entre as principais forças do Mundial. Pela França, William Saliba cometeu três faltas e Dayot Upamecano cinco, ambos sem cartões. Na Espanha, Pau Cubarsí e Aymeric Laporte fizeram três faltas cada. A Inglaterra teve Marc Guéhi com duas infrações e Ezri Konsa com 7, enquanto a Argentina contou com Cristian Romero, que cometeu seis faltas, e Lisandro Martínez, autor de três. Nenhuma dessas duplas terminou a competição com um número de infrações tão baixo quanto Gabriel Magalhães e Marquinhos.
Os números reforçam que a eliminação brasileira passou longe de ser consequência do excesso de faltas dos zagueiros. Pelo contrário, a última linha da Seleção poderia, quem sabe, ter matado jogadas fundamentais dentro das partidas.
Um exemplo foi o primeiro gol do Japão, em que Gabriel Magalhães fica dentro da área e espera a conclusão de Kaishu Sano no gol, ainda que Casemiro não tenha feito a falta por já estar amarelado. No segundo gol do Haaland, os zagueiros brasileiros mais uma vez estão longe do atacante norueguês, não matando a jogada ou pelo menos dificultando a finalização.
Com a eliminação precoce, a Seleção Brasileira inicia um novo ciclo de preparação sob o comando de Carlo Ancelotti, visando a Copa de 2030. Desta vez, o italiano terá quatro anos de preparação para alcançar o tão sonhado hexa.
Os próximos compromissos do Brasil já estão definidos. A CBF agendou dois amistosos contra a Austrália para a Data Fifa de setembro, com ambas as partidas em solo australiano.