Impiedoso, o verão chegou para ficar nos Estados Unidos, às vésperas do feriado do "4 de julho", data que marca a independência do país. Convidado pelo Donaldo para os festejos, o diabo viajou até o Texas e, depois, decidiu passar alguns dias em Nova Jersey. A sensação térmica tem ultrapassado os 40 degraus. Para o dissabor do capiroto, entretanto, estava ainda mais calor do que esperava-se na terra do Tio Sam. O cramunhão declinou e comunicou, então, que ficaria no inferno, onde, segundo ele, as temperaturas são mais amenas.
Por falar em temas ligados ao submundo, em 1991, Ozzy Osbourne lançou o hit "No more tears", canção que também batizou o disco daquela temporada. No ano seguinte, o ex-líder do Black Sabbath, sempre com aquela belíssima ironia britânica, utilizou a corruptela "No more tours" para nomear a sequência de shows que resultou no álbum duplo "Live & Loud" (1993).
Ozzy estava seguro de que aquela seria a última tournée. O Madman iniciou a década de 90 exaurido pelo número de recitais e precisava dedicar um tempo à família. Anos depois, no entanto, o ícone do heavy metal já tinha colocado o pé na estrada novamente. Afinal, o artista não é nada sem os seus (per)seguidores.
Ao contrário do J10, Brasil não pode ouvir Ozzy
O exemplo daquela fase da carreira de Ozzy veio à tona nesta semana durante algumas elucubrações. A vida de rockstar deste cronista foi elevada à décima potência com a cobertura da Copa do Mundo. Em menos de dez dias, foram três cidades, com embarques e desembarques em diferentes estações de trem e aeroportos. O público pede mais. Torcemos, portanto, para continuar assim até o dia 19 de julho. O Brasil, agora, não pode, sob hipótese alguma, ouvir a balada "Mama, I'm coming home", canção, curiosamente, também de 1991.
A vida de um astro de rock, porém, não é só glamour. Pelo contrário. Na sexta-feira (3), uma chuva de proporções bíblicas devastou Morris Plains, uma espécie de "one-horse-town" em Nova Jersey. A luz foi embora e deixou todo mundo no breu. A equipe de reportagem do Jogada10 perdeu o contato com o mundo e, isolada, foi obrigada a dormir sem refrigerador e impedida de produzir o material do dia. A humilhação aumentou com o jantar: frango frio.
Em qualquer cidade do interior do Brasil, a questão da luz seria resolvida em duas horas. No Terceiro Mundo, porém, as coisas não funcionam assim. Por aqui, o Donaldo enrolou o contribuinte por mais dez horas. Este é só um dos perrengues que já enfrentamos. Talvez o pior. Antes, por exemplo, ao lavar a roupa, nos pediram para baixar um aplicativo, ligar para a Casa Branca por uma autorização e aguardar um Código Morse para, enfim, iniciar a limpeza. Tudo parece mais complicado na América.
*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.
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