Caso nos EUA coloca futuro da SAF Botafogo em alerta; saiba detalhes

GDA Luma é credora do Botafogo e negocia assumir o controle da SAF enquanto participa de processo ligado à Credivalores nos EUA

23 set 2026 - 19h13
Resumo
O futuro da SAF Botafogo entra em alerta com o avanço do processo de insolvência da Credivalores nos EUA, que envolve a GDA Luma Capital Management, ré por suspeita de transferência fraudulenta. Embora seja apenas credora de R$ 186,8 milhões do clube, a GDA assinou acordo para assumir 90% das ações da SAF por US$ 105 milhões. Essa transição societária, no entanto, permanece sob incerteza devido ao litígio no exterior e a contestações judiciais movidas pelo ex-controlador John Textor sobre as ações.

A reunião de credores da Credivalores/Crediservicios S.A. será retomada nesta quarta-feira (23), nos Estados Unidos. O encontro integra o processo de insolvência da empresa e envolve a GDA Luma Capital Management, ligada financeira e societariamente ao Botafogo.

Foto: Reproduçã/ Autor Desconhecido/ Instagram @estevao.beninca
Foto: Reproduçã/ Autor Desconhecido/ Instagram @estevao.beninca
Foto: Reproduçã/ Autor Desconhecido/ Instagram @estevao.beninca / RTI Esporte

A Agência RTI Esporte apurou que a reunião é uma continuidade do procedimento previsto pela Seção 341(a) da legislação de falências norte-americana. O administrador Salvatore LaMonica apresentou, em 9 de setembro, o aviso para a nova sessão.

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O processo, registrado sob o número 1:24-bk-10837, inclui a GDA Luma entre as partes relacionadas. A empresa também é ré em ação que envolve pedidos de recuperação de valores ou bens, preferência e transferência fraudulenta.

GDA é credora, mas ainda não controla a SAF

No Botafogo, a GDA exerce atualmente o papel de credora. Isso significa que a empresa tem valores a receber da SAF, e não que detenha o controle do clube. A relação começou em fevereiro de 2026, quando a GDA concedeu empréstimo de US$ 25 milhões.

Após os descontos previstos no contrato, cerca de US$ 22,8 milhões foram efetivamente disponibilizados. Na recuperação judicial, a empresa aparece com crédito de aproximadamente R$ 186,8 milhões.

O contrato estabeleceu garantias relacionadas a receitas e direitos creditórios do elenco, além de mecanismos envolvendo ações da SAF. Em determinadas situações de inadimplência, a obrigação poderia alcançar pelo menos US$ 55 milhões (R$ 273 milhões, na cotação atual).

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Acordo prevê futura mudança de controle

Em junho, por exemplo, Botafogo e GDA assinaram um acordo vinculante de investimentos avaliado em US$ 105 milhões. A operação prevê a entrada do grupo liderado por Gabriel de Alba e a futura transferência de 90% das ações da SAF.

É importante separar as duas situações: ser credora não transforma a GDA automaticamente em controladora. A empresa possui um crédito contra a SAF, enquanto o controle depende da efetiva transferência das ações prevista na operação.

Por isso, embora a GDA Luma Capital Management já tenha realizado aportes e participe diretamente da reestruturação financeira, ela ainda não assumiu formalmente o controle acionário do clube da Estrela Solitária.

John Textor ainda contesta a estrutura acionária

A transferência das ações também está ligada à disputa envolvendo Eagle, Lyon e John Textor. O ex-controlador contesta judicialmente a situação societária e afirma ter direitos sobre os papéis da SAF Botafogo.

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A diretoria avançou com medidas para reorganizar a estrutura acionária, enquanto uma Assembleia Geral Extraordinária deverá discutir o aumento de capital da SAF. Nesse cenário, a reunião da Credivalores ganha relevância.

A GDA aparece simultaneamente em um processo de insolvência nos Estados Unidos, como credora do Botafogo e como potencial futura controladora da SAF, caso a transferência acionária prevista no acordo seja concluída.

Os processos são juridicamente distintos e um não determina automaticamente o desfecho do outro. A situação, porém, coloca a posição societária da GDA sob atenção enquanto a empresa tenta avançar na operação que pode mudar o comando do futebol do Botafogo.

Para ficar juridicamente preciso, eu mudaria principalmente a ideia de que a sentença "reconhece direitos" de forma genérica. Ela tem eficácia jurídica nos EUA, mas não produz, por si só, alteração no quadro societário brasileiro.

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No Brasil, a homologação pelo Superior Tribunal de Justiça é o mecanismo que permite à decisão estrangeira produzir efeitos, conforme o art. 961 do CPC. O STJ faz, em regra, juízo de delibação e não reexamina o mérito.

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