Botafogo: até quando Tite viverá do passado?

Treinador enfrenta a Chapecoense pressionado pelo início ruim e pela necessidade de recuperar a credibilidade depois de trabalhos decepcionantes

17 out 2026 - 11h54
(atualizado às 11h54)
Resumo
Após trabalhos frustrantes no Flamengo e no Cruzeiro, Tite vive um início ruim no Botafogo, somando apenas um ponto em três jogos. O histórico vitorioso do treinador já não o blinda de cobranças por desempenho e organização tática, mesmo considerando as limitações do elenco e a influência de sua comissão. Diante desse cenário de pressão crescente, vencer a lanterna Chapecoense tornou-se uma obrigação básica para estancar a crise e provar que sua reputação ainda se converte em resultados.

Tite não precisa se aposentar. Mas o futebol brasileiro também não precisa tratar sua trajetória como um salvo-conduto contra críticas. Depois das passagens decepcionantes por Flamengo e Cruzeiro, o treinador ganhou no Botafogo outra oportunidade de demonstrar que ainda consegue transformar experiência em resultado.

Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte
Foto: Fotomontagem: Vinicius Teixeira/ Agência RTI Esporte / RTI Esporte

Até aqui, o campo não ofereceu motivos para comemoração.

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O começo é ruim. Nas três primeiras partidas, o Botafogo perdeu para o Mirassol por 2 a 0, foi derrotado pelo Vasco por 2 a 1 e empatou por 1 a 1 com o Coritiba. Um ponto em nove possíveis, cinco gols sofridos e apenas dois marcados.

Não é tempo suficiente para decretar o fracasso, mas já é material suficiente para cobrar respostas.

Contra a Chapecoense, lanterna do Campeonato Brasileiro, a primeira vitória virou necessidade. O adversário oferece uma oportunidade para interromper a sequência negativa, mas também torna a cobrança mais incômoda.

Se o time não conseguir vencer, será difícil sustentar que o problema se resume à adaptação.

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O discurso da evolução tem seus limites. O Botafogo pode até apresentar movimentações melhores, mas organização sem resultado continua sendo uma promessa. A equipe precisa criar mais, defender melhor e demonstrar que existe uma ideia capaz de sobreviver às dificuldades de uma partida.

No futebol, intenção não altera tabela.

As limitações do elenco são reais e precisam entrar na conta. Mas não servem como explicação universal. A diretoria responde pela montagem do grupo; a comissão técnica, por encontrar soluções com os jogadores disponíveis.

Se falta qualidade em determinadas posições, cabe trabalhar para reduzir o impacto dessas carências. É para isso que treinadores experientes são contratados.

O histórico recente aumenta a cobrança.

No Flamengo, Tite deixou o cargo em setembro de 2024, após a eliminação na Libertadores diante do Peñarol.

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No Cruzeiro, foi demitido em março de 2026, depois de empatar por 3 a 3 com o Vasco pelo Campeonato Brasileiro. Foram contextos diferentes, mas ambos terminaram antes do que se esperava.

O Botafogo não precisa condená-lo antecipadamente. Tampouco deve ignorar os sinais de alerta por causa do nome estampado na prancheta. Experiência deveria ajudar a encontrar soluções, não tornar a cobrança inconveniente.

Matheus Bachi e a comissão técnica

A presença de Matheus Bachi, filho de Tite e auxiliar técnico, também desperta interesse sobre a divisão de funções na comissão. No empate com o Coritiba, ele comandou a equipe à beira do campo porque o treinador cumpria suspensão.

O episódio não comprova qualquer irregularidade, nem autoriza afirmar que o auxiliar decide pelo pai. A questão relevante é a organização do trabalho e a clareza das responsabilidades, como em qualquer comissão profissional.

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A cobrança deve se concentrar nas decisões e no desempenho da equipe. É Tite quem responde pelo comando, pelas escalações e pelas escolhas táticas, independentemente da contribuição dos auxiliares.

Contra a Chapecoense, vencer não será façanha. Será o mínimo esperado para interromper o mau começo. Uma vitória tampouco apagará os problemas, mas poderá iniciar uma reação.

O passado explica a contratação. Não pode servir de desculpa para o presente. No Botafogo, Tite precisa mostrar que ainda sabe fazer um time jogar — porque a reputação, sozinha, não conquista pontos.

(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.

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