André Hernan tornou-se referência no jornalismo esportivo brasileiro, destacando-se no mercado de transferências e construindo uma marca própria, especialmente no meio digital, após aprender com erros que marcaram sua trajetória.
André Hernan virou uma das principais referências do jornalismo brasileiro quando o assunto é o mercado de transferências do futebol. Hoje com o programa ‘Fala a Fonte’, na ESPN, e participação em transmissões da Prime Vídeo, o repórter construiu sua própria marca ao se jogar no mundo digital.
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Longe da televisão desde 2022, quando deixou a Globo, o jornalista tem um dia a dia que considera ‘sem rotina’. No mundo da internet, o tempo livre passa a ser usado para abastecer suas próprias redes sociais, onde seu nome e foto de perfil são vistos como uma garantia de informação confiável pelo fã de futebol.
“A minha credibilidade é como se fosse o meu terceiro filho. Tem a Nina, o Bento e a minha credibilidade. Eu me cobro muito, mas, ao mesmo tempo, não sento nessa zona de conforto de achar que eu sou simplesmente um jornalista de renome e que isso vai me trazer sempre a credibilidade. Eu me cobro todos os dias. Acordo, levanto, apuro como se eu fosse todos os dias um jornalista que está começando e que está buscando seu espaço”, conta ao Terra.
Se hoje conta com esse respeito do público, Hernan aprendeu com um erro que considera ter arranhado sua imagem na época. Em uma das movimentações de grande repercussão dos últimos anos, o jornalista anunciou que o atacante Pablo, então do Athlético-PR, estava certo para jogar no Flamengo. No fim das contas, o jogador acabou indo para o São Paulo, e o Rubro-Negro contratou Gabigol.
“Aprendi muito com um episódio em que errei. É tão aterrorizante que eu me lembro do tuíte que escrevi. Uma boa fonte me disse que Pablo ia jogar no Flamengo. Só faltava assinar. O Twitter explodiu nesse dia. Isso era às 22h30 da noite. No dia seguinte, me lembro que eu chego para a Central do Mercado, e aí está lá, São Paulo faz oferta e encaminha a contratação de Pablo. Falei: ‘meu Deus do céu! O que aconteceu aqui?’. Fui cobrar a fonte e ela me falou que o São Paulo fez uma maluquice e levou o jogador”, recorda.
Embora não considere um descuido de sua parte, Hernan sabe que poderia ter procurado uma segunda confirmação. Na ocasião, a informação chegou para ele por meio de um intermediário, que enviou imagens de trechos de contrato e comissões.
“Ficou feio para mim, tive que dar a explicação do inexplicável. Aprendi a ir com calma. E isso deu uma arranhada na minha imagem, porque a gente estava começando o projeto da Central do Mercado. Me lembro de eu levantar a mão, virar para os chefes e falar: ‘desculpa, isso não vai se repetir’”, detalha sobre o episódio.
Com a lição que tirou do grande erro de sua carreira, o repórter hoje recebe informações até mesmo de jogadores de destaque. A primeira vez que isso aconteceu foi surpreendente para ele.
“Hoje acontece muito do próprio jogador chegar e falar que está fechando. Isso é um mérito muito bacana. Um jogador grande, capitão de um time gigante, me mandou mensagem no direct e falou que tinha uma proposta de clube árabe, irrecusável. Fui até ver se era fake, tava lá o verificado. Printei por segurança. Fui no dirigente e perguntei se era isso mesmo. Matéria foi ao ar, mas acabou não acontecendo porque o clube não liberou. Mas eu falei ‘acho que num outro nível, tô numa outra prateleira. Os caras tão vindo direto pra mim’. Isso tem acontecido já algumas vezes”, conta o jornalista.
Na trajetória que trilhou e o colocou como referência no mercado de transferências, Hernan tem em uma entrevista a grande reportagem de sua vida. Após o vazamento de áudios comprometedores contra Carlos Amarilla pela atuação na eliminação do Corinthians para o Boca Juniors na Libertadores de 2013.
“Acho que foi o meu batismo ali como repórter e eu mergulhei muito nessa história. A minha grande história no jornalismo é essa entrevista com o Amarilla, porque ela é completa e ela traz tudo que um repórter tem que ter para se sentir completo”, diz.
Com a bagagem que adquiriu, o repórter quer ajudar na formação de novos profissionais especializados em apuração. Ele não descarta nem mesmo a criação de um reality show na ESPN.