O Fluminense manifestou-se contra a proibição imediata de apostas esportivas decretada pelo governo federal via Medida Provisória. Embora reconheça os riscos de endividamento e vício, o clube defendeu a criação de um período de transição para assegurar a validade dos contratos vigentes, evitar prejuízos a empregos e aos esportes olímpicos e feminino, além de frear o avanço do mercado clandestino. O Tricolor destacou ainda a perda de arrecadação pública decorrente da medida abrupta.
O Fluminense divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira (25) após o governo federal anunciar a proibição das apostas esportivas e dos jogos online no Brasil. A medida foi assinada pelo presidente Lula por meio de uma Medida Provisória e prevê que os sites e aplicativos de apostas saiam do ar a partir de 6 de outubro. Publicidades e patrocínios também deverão ser retirados até 5 de outubro.
No comunicado, o Fluminense afirmou que considera legítimo o debate sobre a proibição das apostas e reconheceu as preocupações relacionadas ao endividamento e ao vício. O clube, porém, pediu que os impactos da decisão sejam considerados antes da implementação definitiva das novas regras.
Um dos principais pontos levantados na nota oficial é a segurança jurídica dos contratos já firmados. O Fluminense argumentou que empresas que cumpriram a regulamentação e parceiros que assumiram compromissos financeiros não podem ser surpreendidos por uma mudança imediata.
O clube citou como exemplo o estoque das lojas oficiais, que, segundo o comunicado, possui cerca de seis meses de camisas com a marca do patrocinador master. Para o Fluminense, uma mudança abrupta poderia provocar prejuízos e afetar empregos em toda a cadeia ligada ao setor.
Outro ponto destacado foi a possibilidade de crescimento do mercado clandestino. Na avaliação apresentada pelo clube, a proibição das empresas regulamentadas não faria com que as apostas deixassem de existir, podendo levar usuários para plataformas sem fiscalização, tributação ou mecanismos de proteção.
Fluminense cita impacto no esporte
Na nota, o Fluminense também destacou que os recursos provenientes do mercado de apostas não são destinados apenas ao futebol profissional. Segundo o clube, essas receitas ajudam a financiar categorias de base, futebol feminino e esportes olímpicos.
A arrecadação pública também foi mencionada no posicionamento. O Tricolor ressaltou que o mercado regulamentado gera tributos e destinações previstas em lei para áreas como esporte, seguridade social, segurança pública, educação e saúde.
Diante da decisão do governo, o Fluminense defendeu, no mínimo, a criação de um período de transição para mudanças no setor.
"O caminho deve ser guiado por dados concretos e pela efetividade de cada alternativa", afirmou o clube ao final da nota oficial.