O sonho da casa própria do Flamengo, materializado com a compra do terreno do Gasômetro em 2024, vai demorar para sair do papel. A atual diretoria rubro-negra não tem pressa para iniciar as obras e já trabalha com novos prazos. Embora tenha encerrado a disputa judicial com a Caixa em 2025, o clube recalculou a previsão de inauguração. O prazo, que antes era 2029, já passou para 2036.
Em entrevista ao jornal espanhol AS, Luiz Eduardo Baptista (Bap) foi direto sobre a estratégia. O dirigente afirmou que o contrato de concessão do Maracanã oferece conforto para aguardar o momento econômico ideal. Segundo ele, não faz sentido construir uma nova arena se o modelo de negócios não gerar significativamente mais receita que a atual casa.
Juros altos e o custo de "dois Paquetás"
Sobretudo, o principal vilão do projeto é o cenário econômico brasileiro. A taxa Selic, que baliza os juros no país, está atualmente em 15%. Na visão do clube, pegar empréstimos nessas condições é inviável. Bap explicou que um estádio de 500 milhões de euros geraria 75 milhões de euros apenas em juros anuais.
Para ilustrar o impacto, o dirigente usou uma comparação forte com o mercado da bola:
"Eu teria que pagar quase dois Lucas Paquetá por ano em juros. Por que eu faria isso se tenho o Maracanã? Se as taxas de juros no Brasil voltarem a 2% ou 3% ao ano… talvez faça sentido construir um estádio".
Além disso, os custos totais assustam. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) estimou o valor final da obra em R$ 2,66 bilhões. Mesmo com otimismo, a diretoria acredita que só conseguiria reduzir esse montante para R$ 2,2 bilhões.
Lucro recorde no Maracanã e escolha difícil
Por outro lado, o Flamengo vive um momento financeiro mágico no Maracanã. A gestão atual conseguiu reduzir custos operacionais e aumentar drasticamente a margem de lucro. Dados apresentados ao Conselho Deliberativo mostram que a arrecadação anual com bilheteria saltou de R$ 44,5 milhões para R$ 88,2 milhões de 2024 para 2025.
A eficiência operacional impressiona. Bap revelou que a margem de lucro, que era de 30% na gestão anterior (quando eram donos), subiu para 72% atualmente. Portanto, o clube prefere manter o dinheiro em caixa para investir no elenco, como na contratação de astros.
O dirigente admite que a construção do estádio exigiria sacrifícios técnicos.
"Se decidir construir um estádio, certamente não haverão outros Samuel Lino ou Lucas Paquetá, mas poderei ter um estádio novo. O objetivo é ganhar dinheiro. (…) Não posso comprometer o futuro do nosso time".
Obstáculos técnicos no Gasômetro
Finalmente, existem barreiras físicas no terreno do Gasômetro. A empresa Naturgy ocupa 55% da área com uma subestação de gás. A retirada dessa estrutura é complexa e demorada. A estimativa é de quatro anos apenas para o remanejamento, após a definição de um novo local pela Prefeitura.
Depois disso, o clube ainda precisará realizar a descontaminação do solo antes de colocar o primeiro tijolo.
Siga nosso conteúdo nas redes sociais: Bluesky, Threads, Twitter, Instagram e Facebook.