O Flamengo fracassou nas negociações por Thiago Almada e viu o argentino acertar transferência para o River Plate. Com isso, a diretoria rubro-negra passou a concentrar esforços em Luiz Henrique, atacante do Zenit, da Rússia, e um velho conhecido do futebol brasileiro.
Embora ambos tenham sido apontados como possíveis reforços do Flamengo, tratam-se de jogadores com características bastante distintas. Se Thiago Almada é um meia criativo que faz a equipe jogar, Luiz Henrique é um ponta explosivo, especialista em vencer duelos individuais e acelerar ataques.
Thiago Almada pode atuar como cérebro da equipe
Campeão e vice-campeão do mundo com a Argentina e presença constante nas convocações da seleção comandada pelo técnico Lionel Scaloni, Thiago Almada construiu uma carreira marcada pela criatividade e ofensividade.
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Depois de surgir no Vélez Sarsfield, brilhou na MLS pelo Atlanta United, onde viveu o melhor momento da carreira em clubes. Entre 2022 e 2024, disputou 83 partidas, marcou 26 gols e distribuiu outras 26 assistências, tornando-se um dos jogadores mais influentes da liga norte-americana.
Na sequência, passou por Oympique Lyon e Atlético de Madrid, adquirindo experiência em duas das principais ligas da Europa. Ao longo da carreira, por exemplo, soma 268 partidas, 58 gols e 43 assistências. Os números físicos também impressionam.
Na última temporada da La Liga, por exemplo, percorreu, em média, 11,5 quilômetros por partida, realizou 24,8 sprints por jogo e atingiu velocidade máxima de 35,5 km/h. Além disso, manteve 87% de aproveitamento nos passes, com 85% de precisão no campo ofensivo.
Os indicadores que demonstram sua enorme participação na construção das jogadas. Almada gosta de receber entre as linhas, acelerar a circulação da bola e servir os companheiros. É um organizador moderno, que alia criatividade, intensidade e capacidade de infiltração.
Luiz Henrique aposta na força física e no um contra um
Luiz Henrique teve outro caminho. Revelado pelo Fluminense, passou pelo Betis antes de voltar ao Brasil pelo Botafogo, onde viveu o auge. Foi destaque nos títulos do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores da América e voltou ao radar da Seleção Brasileira.
As atuações despertaram o interesse do Zenit, que investiu cerca de 33 milhões de euros para contratá-lo. Hoje, o atacante também integra o grupo observado pelo técnico Carlo Ancelotti para o novo ciclo da Amarelinha.
Mais vertical do que Almada, Luiz Henrique atua preferencialmente pelo lado direito do ataque, conduzindo a bola em velocidade para finalizar com a perna esquerda ou atacar o espaço às costas dos defensores. Fisicamente, também chama atenção.
O brasileiro mede 1,82 metro, possui grande capacidade de aceleração e combina força física com explosão nos primeiros metros, características que fizeram dele um dos melhores jogadores do Brasileirão antes da transferência para a Rússia.
Atualmente, Luiz Henrique está avaliado em cerca de 25 milhões de euros. Soma 37 gols e 34 assistências em 286 jogos. Pelo Fluminense, marcou 14 gols e deu 14 assistências em 120 partidas. Pela seleção brasileira, tem dois gols e três assistências em 16 jogos.
Os estilos praticamente não se cruzam
Embora ambos possam atuar atrás do centroavante, a forma como influenciam o jogo é bastante diferente. Thiago Almada participa muito mais da construção ofensiva. É comum vê-lo baixar até o meio-campo para iniciar jogadas, trocar passes curtos e acelerar a circulação da bola.
Sua mobilidade constante faz com que esteja presente praticamente em todos os ataques. Luiz Henrique, por outro lado, é um jogador de ruptura. Recebe aberto, parte para o drible, conduz em velocidade e procura chegar rapidamente à área adversária.
Thiago Almada tem um perfil mais criativo, com maior volume de passes, participação na construção e intensidade na movimentação. Luiz Henrique, por sua vez, busca o desequilíbrio individual, explorando o drible, a aceleração e a força física nas zonas ofensivas.
Quem faria mais sentido no Flamengo?
Caso a intenção fosse encontrar um atleta com funções semelhantes às de Arrascaeta, Thiago Almada parecia oferecer um encaixe mais natural. Sua capacidade de controlar o ritmo do jogo, encontrar espaços entre linhas e criar oportunidades aproxima seu perfil ao do uruguaio.
Luiz Henrique representa uma solução diferente. Ele acrescenta velocidade, profundidade e capacidade de vencer confrontos individuais, podendo atuar aberto pela direita ou até com liberdade para flutuar pelo setor ofensivo.
Na prática, a mudança de alvo também representa uma alteração de estratégia. O Flamengo deixa de procurar um articulador para investir em um atacante capaz de decidir partidas pela força física, explosão e qualidade no um contra um.
São perfis distintos. Almada faz o time jogar, enquanto Luiz Henrique quebra linhas e desequilibra individualmente. Cabe ao Flamengo definir qual virtude mais faz falta. Almada pode ter sido um passado que nunca existiu, enquanto Luiz Henrique surge como presente e futuro do clube.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal