O Flamengo anunciou, nesta segunda-feira (5), o encerramento das atividades da canoagem e do remo paralímpico, decisão que resultou na dispensa de nove atletas, entre eles Isaquias Queiroz, um dos maiores nomes da história do esporte olímpico brasileiro.
Dono de cinco medalhas em Jogos Olímpicos, incluindo o ouro no C1 1000m em Tóquio-2020, o canoísta deixa o clube após cerca de sete anos na última passagem pelo Rubro-Negro.
Além de Isaquias, também foram desligados da canoagem Gabriel Assunção, Mateus dos Santos, Valdenice do Nascimento e Roberto Maehler.
Já o remo paralímpico, único esporte adaptado mantido pelo Flamengo até então, tinha como representantes Michel Pessanha, Gessyca Guerra, Diana Barcellos e Valdenir Junior, que igualmente foram dispensados.
Em nota oficial, o Flamengo classificou a decisão como resultado de uma "avaliação estratégica alinhada às premissas que norteiam o esporte olímpico do clube".
Segundo o comunicado, a diretoria busca aliar excelência competitiva ao investimento contínuo na formação e no desenvolvimento de atletas a partir de estruturas permanentes, modelo que, de acordo com o clube, tornou-se inviável nas modalidades encerradas. Um dos principais argumentos apresentados pelo Rubro-Negro foi o fato de os atletas da canoagem não residirem nem realizarem seus treinamentos no Rio de Janeiro.
O clube destacou que Isaquias, Gabriel Assunção, Mateus dos Santos e Valdenice do Nascimento treinavam fora da capital fluminense, o que "inviabiliza a consolidação de um trabalho estruturado de base e a formação de novos talentos", apontados como pilares do projeto esportivo e parte do "DNA histórico" do Flamengo.
A decisão chama atenção especialmente pelo peso simbólico de Isaquias Queiroz. O canoísta foi medalhista olímpico nas últimas três edições dos Jogos: conquistou três medalhas na Rio-2016 (prata no C1 1000m, bronze no C1 200m e prata no C2 1000m, ao lado de Erlon de Souza), o ouro no C1 1000m em Tóquio-2020 e a prata na mesma prova em Paris-2024.
O contrato de Isaquias com o Flamengo, inclusive, havia sido renovado em março deste ano para o ciclo até Los Angeles-2028, e sua permanência era tratada como prioridade pela diretoria de esportes olímpicos à época.
No comunicado, o clube exaltou a trajetória do atleta. "O Flamengo se orgulha de ter contado em sua equipe com Isaquias Queiroz, um dos maiores atletas da história do esporte olímpico brasileiro. Campeão olímpico, com cinco medalhas em Jogos, e referência mundial na canoagem, Isaquias vestiu o Manto Sagrado por cerca de sete anos nesta última passagem, deixando um legado de conquistas que nos orgulha", afirmou a nota.
Obrigado, Isaquias!
O Flamengo se orgulha de ter contado com Isaquias Queiroz, um dos maiores nomes da história do esporte olímpico brasileiro. Campeão olímpico e dono de cinco medalhas em Jogos, o canoísta vestiu o Manto Sagrado por cerca de sete anos nesta última passagem,… pic.twitter.com/6UIx0ANWex
— Time Flamengo (@TimeFlamengo) January 5, 2026
O encerramento do remo paralímpico também gerou repercussão. Segundo informação publicada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, o custo mensal da modalidade para o Flamengo era de aproximadamente R$ 10 mil, valor considerado baixo em relação ao faturamento bilionário do clube. Ainda assim, a diretoria optou por extinguir a equipe, encerrando a única frente de paradesporto mantida pela instituição.
Na despedida, o Flamengo agradeceu nominalmente todos os atletas desligados, tanto da canoagem quanto do pararemo, destacando o profissionalismo, a dedicação e o comprometimento ao longo do período em que representaram o clube. O Rubro-Negro afirmou reconhecer a importância das trajetórias de cada um e desejou sucesso na continuidade de suas carreiras esportivas.