Escalada: entenda o processo que levou à demissão de Filipe Luís no Flamengo

Início irregular, derrotas no Estadual, vices na Supercopa e Recopa e pressão da torcida culminaram na demissão de Filipe Luís.

3 mar 2026 - 11h01
(atualizado às 11h01)
Filipe Luís foi titular na vaga de Ayrton Lucas, suspenso pelo terceiro cartão amarelo
Filipe Luís foi titular na vaga de Ayrton Lucas, suspenso pelo terceiro cartão amarelo
Foto: Alexandre Vidal | Flamengo / Esporte News Mundo

A demissão de Filipe Luís do comando do Flamengo não foi um movimento isolado, tampouco uma reação à goleada por 8 a 0 no Carioca. A decisão foi o ponto final de uma escalada de pressão que começou ainda no início da temporada e ganhou força nas últimas semanas.

Do desempenho abaixo do esperado às críticas abertas da torcida, o ambiente foi se deteriorando até a ruptura.

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Início de temporada abaixo do esperado

Depois de um ano vitorioso, a expectativa era de manutenção do alto nível. Mas o começo de 2026 não correspondeu. O Flamengo oscilou no Campeonato Carioca, sofreu derrotas incômodas e apresentou dificuldades coletivas que passaram a preocupar parte da diretoria e da torcida.

A equipe mostrava pouca consistência defensiva e dependência excessiva de jogadas individuais, algo que começou a gerar questionamentos mais frequentes sobre o trabalho da comissão técnica.

Vices que aumentaram o desgaste

O clima pesou de vez com os resultados em decisões. O Flamengo ficou com o vice na Supercopa do Brasil e, na sequência, também perdeu o título da Recopa Sul-Americana. Dois torneios de peso, duas frustrações em pouco tempo.

As derrotas ampliaram o desgaste interno e externo. A cobrança deixou de ser pontual e passou a ser constante, especialmente nas redes sociais e nas arquibancadas.

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Protestos e pressão da torcida

Com os tropeços, a torcida passou a direcionar críticas mais duras a Filipe Luís. Parte dos protestos tinha como alvo a insistência do treinador em alguns jogadores considerados abaixo do rendimento esperado.

Durante partidas no Maracanã, houve vaias individuais e cânticos de cobrança. A percepção de que o técnico demorava a promover mudanças ou insistia em determinadas escolhas táticas alimentou um clima de hostilidade que foi crescendo jogo após jogo.

O ambiente já não era o mesmo do período de títulos.

A fala de Cebolinha e o sinal de desgaste

Após a derrota na Recopa, uma declaração de Everton Cebolinha ambém chamou atenção. O atacante afirmou que aquela poderia ser sua última temporada no clube, o que foi interpretado por parte da torcida como reflexo de um ambiente interno desgastado.

Embora a fala tenha sido pessoal, o contexto reforçou a sensação de que o elenco atravessava um momento de instabilidade.

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A decisão após a classificação

Mesmo com a goleada que garantiu vaga na final do Carioca, a diretoria optou por encerrar o ciclo. Internamente, a avaliação era de que o ambiente já estava comprometido e que a relação entre comissão técnica e arquibancada dificilmente seria reconstruída a curto prazo.

Assim, a demissão de Filipe Luís foi menos sobre um resultado específico e mais sobre o acúmulo de fatores que, ao longo das semanas, criaram um cenário de desgaste contínuo.

A goleada não apagou a escalada. Apenas antecedeu o desfecho.

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