O duelo do Flamengo contra o Independiente del Valle, pelas quartas da Libertadores, marca o reencontro dos equatorianos Gonzalo Plata e Anthony Valencia com o clube que os revelou. Nascidos em Guayaquil e canhotos, ambos despontaram na base da equipe equatoriana e passaram pela Europa — Plata por Portugal e Espanha, e Valencia pela Bélgica — antes de chegarem ao time rubro-negro, pelo qual agora retornam a Quito para disputar a vaga continental contra seu antigo formador.
O confronto com o Independiente del Valle, nesta quinta-feira (10), em Quito, terá um significado especial para dois jogadores do Flamengo. Gonzalo Plata e Anthony Valencia, os dois equatorianos do atual elenco rubro-negro, passaram justamente pelo clube que estará do outro lado nas quartas de final da Libertadores. Embora tenham construído trajetórias diferentes depois de deixar o país, ambos cresceram dentro de um dos principais projetos de formação do futebol equatoriano.
Além da nacionalidade e da posição ofensiva, Plata e Valencia compartilham outras semelhanças. Os dois nasceram em Guayaquil, são canhotos e deixaram o Equador ainda jovens para buscar espaço no futebol europeu. Antes disso, porém, passaram pelo Independiente del Valle, clube que ganhou projeção continental também pelo investimento nas categorias de base.
Plata começou na LDU antes de chegar ao Del Valle
A relação de Gonzalo Plata com o futebol equatoriano começou ainda na base da LDU. Depois, em 2012, o atacante passou para o Independiente del Valle e permaneceu no clube até 2019. Ainda adolescente, começou a treinar com os profissionais e estreou na equipe principal aos 17 anos.
Em 2018, sua primeira temporada com maior presença no time principal, Plata disputou 13 partidas pelo Campeonato Equatoriano, sendo titular em 11 delas. Além disso, marcou um gol e acumulou 936 minutos em campo. O desempenho ajudou a acelerar uma saída que já parecia natural diante do interesse europeu.
Ao mesmo tempo, o atacante ganhou protagonismo nas seleções de base do Equador. Em 2019, foi campeão do Sul-Americano Sub-20. Depois, também participou do Mundial da categoria e terminou a competição como vencedor da Bola de Bronze, prêmio destinado ao terceiro melhor jogador do torneio.
Naquele mesmo ano, Plata deixou o Del Valle e acertou com o Sporting, de Portugal. Assim, iniciou uma trajetória internacional que também passou pelo Valladolid, da Espanha, e pelo Al-Sadd, do Catar. Em agosto de 2024, o Flamengo concluiu a contratação do atacante. A operação poderia alcançar US$ 9,1 milhões com a aquisição progressiva dos direitos econômicos.
Desde então, Plata conquistou espaço e títulos no Rio. O equatoriano participou das conquistas da Copa do Brasil de 2024, Libertadores e Brasileirão de 2025, além da Supercopa e dos Cariocas de 2025 e 2026. Recentemente, esteve perto de se transferir para o Dínamo Moscou, mas a negociação não foi concluída e ele retornou ao elenco rubro-negro.
Valencia também cresceu no projeto do Del Valle
Anthony Valencia teve um caminho um pouco diferente. Nascido em Guayaquil, iniciou a formação no Deportivo Azogues e, posteriormente, chegou ao Independiente del Valle. Entre os 16 e 17 anos, passou a atuar pelo Independiente Juniors, equipe utilizada pelo clube para acelerar a transição entre as categorias de base e o profissional.
Antes mesmo de chegar ao time principal, porém, Valencia ganhou destaque continental. Em 2020, integrou o elenco campeão da Libertadores Sub-20. Na campanha, inclusive, marcou contra Colo-Colo e Jorge Wilstermann, embora não tenha entrado na final. O Del Valle eliminou justamente o Flamengo na semifinal daquela edição.
Dois anos depois, Valencia assumiu papel maior. Na Libertadores Sub-20 de 2022, tornou-se titular e um dos destaques da equipe que terminou com o vice-campeonato. Além disso, seu nome apareceu entre os principais jogadores formados pelo projeto do Del Valle, ao lado de atletas como Moisés Caicedo e William Pacho.
Já no profissional, a passagem foi curta. Valencia estreou pelo time principal em 2022, sob o comando de Renato Paiva, e disputou apenas três partidas antes da transferência para o Royal Antwerp, da Bélgica. Pela Libertadores profissional, entrou em campo apenas uma vez pelo Del Valle, no empate com o Tolima.
Caminhos diferentes até o Flamengo
Enquanto Plata passou por Portugal, Espanha e Catar, Valencia concentrou sua experiência internacional na Bélgica. No Royal Antwerp, o jovem permaneceu entre 2022 e 2026. Segundo o Flamengo, marcou 13 gols e deu quatro assistências pelo clube antes da mudança para o Brasil.
Entretanto, o período europeu também teve obstáculos. Valencia enfrentou problemas físicos importantes, incluindo uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho em 2025. Depois da recuperação, voltou a ganhar espaço e entrou no radar da seleção equatoriana. Assim, acabou incluído no elenco que disputou a Copa do Mundo de 2026, embora não tenha entrado em campo.
Em setembro, o Flamengo oficializou sua contratação por cerca de 5 milhões de euros. O atacante assinou até 2031 e recebeu a camisa 14. Além disso, chegou como uma aposta do departamento de scout para aumentar as alternativas pelos lados do campo.
Agora, os caminhos dos dois equatorianos voltam a se cruzar justamente onde boa parte de suas histórias começou. Plata e Valencia estão em Quito com o Flamengo para enfrentar o Independiente del Valle. Para o primeiro, trata-se de um reencontro com o clube que o projetou antes da Europa. Para o segundo, a partida pode representar uma das primeiras grandes noites com a camisa rubro-negra justamente diante da instituição que o formou.
Dessa maneira, o duelo pelas quartas de final também carrega uma história paralela. Antes de vestirem vermelho e preto no Rio de Janeiro, Plata e Valencia passaram pela mesma estrutura no Equador. Agora, anos depois, retornam ao país como jogadores do Flamengo e podem ajudar a eliminar o clube que abriu as portas para suas carreiras internacionais.
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