Um casal tenta reaver na Justiça uma casa no Rio de Janeiro arrematada em leilão pelo atacante Pedro, do Flamengo. Antigos donos e ex-vizinhos do jogador, eles contestam a legalidade da dívida com o banco e classificam a aquisição feita pelo atleta como "imoral", alegando que ele comprou o imóvel às escondidas. Além de relatarem truculência no despejo, acompanhado pelo pai de Pedro, os antigos moradores agora pedem a reintegração de posse e denunciam reformas e alterações não autorizadas no local.
A questão da atual casa do atacante Pedro, do Flamengo, ganhou um novo episódio nesta quinta-feira (22/10). O casal que tenta recuperar na Justiça a residência no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, apresentou novos esclarecimentos. Os antigos proprietários contestaram o procedimento que levou à venda do imóvel em leilão.
"Pedro era meu vizinho, já esteve em uma ocasião em minha casa e soube do leilão antes mesmo de mim. Fiquei perplexa em saber que ele havia comprado depois que consegui um RGI para apresentar ao novo advogado. Fiquei chocada", afirmou um dos proprietários à coluna Fábia Oliveira, do Metrópoles.
"No meu entendimento, a venda foi ilegal, e compra certamente foi imoral. Quem compraria a casa da vizinha escondido? Quem faz isso?", questionaram.
Além disso, os antigos moradores contestaram a origem da dívida que levou à execução do financiamento imobiliário. O casal afirma que apresentou provas e laudo pericial à Justiça, mas que não houve reconhecimento de irregularidades por parte da instituição financeira.
Eles também descreveram as circunstâncias em que deixaram a residência. Segundo o relato, duas oficiais de Justiça, dois caminhões de mudança e policiais compareceram ao local, acompanhados pelo pai de Pedro, para acompanhar o procedimento.
O casal ainda afirma que a retirada foi iniciada sem aviso prévio por causa de um suposto erro de digitação nas orientações dadas aos oficiais. A situação foi interrompida após contato com o advogado, e a mudança ocorreu dias depois, dentro do novo prazo judicial.
Nota na íntegra
"Esclarecimentos adicionais sobre a ação de reintegração de posse.Sobre a inadimplência:
A inadimplência aconteceu devido ao descumprimento do contrato estabelecido pela Caixa. As parcelas contratadas pelo sistema SAC deveriam diminuir, e ao contrário, foram aumentando. Mesmo apresentando as provas e laudo pericial, a Justiça entendeu que não havia irregularidades por parte da CEF. Abrimos outro processo apontando novas irregularidades."
Sobre o leilão:
"Pedro era meu vizinho, já esteve em uma ocasião em minha casa e soube do leilão antes mesmo de mim. Fiquei perplexa em saber que ele havia comprado depois que consegui um RGI para apresentar ao novo advogado. Fiquei chocada.
No meu entendimento, a venda foi ilegal, e compra certamente foi imoral. Quem compraria a casa da vizinha escondido? Quem faz isso?"
Sobre o despejo:
Minha casa foi invadida por duas oficiais de Justiça, dois caminhões de mudança, policiais e a presença do pai do Pedro para acompanhar o meu despejo. Algum 'erro' de digitação orientou os oficiais a me retirarem da propriedade sem aviso prévio. Essa violência só foi interrompida após contatar meu advogado, que me assessorou e impediu esse absurdo. Me mudei dias depois atendendo o novo prazo judicial."
Sobre a casa:
Até hoje a casa permanece vazia. Não há ninguém morando. Nunca ninguém morou lá depois de mim. Não haverá, portanto, despejo de pessoas sobre essa propriedade, como aconteceu comigo. Enviamos notificação extrajudicial, após decisão do STJ de agosto/26, para que eles devolvessem a minha casa, mas não aceitaram. Por isso estamos pedindo judicialmente a reintegração da posse."
Sobre as obras:
Passando regularmente na região pude acompanhar algumas mudanças vistas em cima do muro. Cortaram minhas palmeiras que me acompanharam por mais de 10 anos, cortaram meu buganvília rosa que percorria o muro da residência com muita graça e beleza. Modificaram a estrutura da casa. Eu nunca autorizei nada disso. Entregamos a casa em perfeitas condições.
Eu só quero minha casa de volta."
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