Familiaridade dá um toque especial ao confronto entre Marrocos e Holanda na Copa do Mundo

27 jun 2026 - 20h09

Marrocos e Holanda têm potencial de protagonizar ‌um confronto emocionante nos 16 avos de final da Copa do Mundo, com um pano de fundo social que adiciona um tempero especial ao jogo em Monterrey nesta segunda-feira.

Há um grande grau de familiaridade entre as duas seleções, mesmo que tenham se enfrentado apenas três vezes na história. Marrocos conta com três jogadores nascidos na Holanda em seu elenco e seu artilheiro ⁠neste torneio, Ismael Saibari, joga pelo PSV Eindhoven.

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Marrocos tem aproveitado a expertise holandesa na última década ‌para construir uma equipe que chegou às semifinais na última Copa do Mundo e voltou a impressionar ao terminar em segundo lugar no Grupo C, atrás do Brasil apenas pelo saldo ‌de gols.

Marrocos somou sete pontos, derrotando a Escócia e ‌o Haiti, e jogou com maior intensidade na pressão e movimentação inteligente, o que ⁠sugere que será um time difícil de ser batido.

"Não tenho certeza se somos os favoritos na partida contra Marrocos. É uma boa equipe, com muita qualidade, e eles conseguem marcar gols com facilidade", disse o técnico holandês Ronald Koeman aos repórteres após sua equipe liderar o Grupo F na quinta-feira com uma vitória sobre a Tunísia.

A Holanda começou sua campanha na Copa do ‌Mundo devagar, com um empate contra o Japão, mas marcou cinco vezes contra a Suécia e ‌três contra a Tunísia, e ⁠também parece estar em ⁠boa forma.

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"Há jogadores que adoram receber a bola. Tenho um grupo de rapazes que trabalha muito bem em ⁠conjunto e tem um ótimo espírito de equipe", acrescentou ‌Koeman, que era capitão da ‌seleção quando a Holanda derrotou Marrocos na Copa do Mundo de 1994, em Orlando.

Há uma grande comunidade marroquina na Holanda, estimada no ano passado em 430 mil pessoas, e jogadores de ascendência marroquina se destacaram no futebol holandês.

Ibrahim Afellay e Khalid Boulahrouz integravam ⁠a seleção holandesa que ficou em segundo lugar na Copa do Mundo de 2010, mas outros jogadores nascidos na Holanda optaram por representar Marrocos.

A seleção marroquina nesta Copa do Mundo conta com Sofyan Amrabat, Noussair Mazraoui e o lateral do PSV Anass Salah-Eddine, que defendeu a Holanda na categoria sub-21 antes de mudar sua ‌filiação internacional no ano passado.

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O dilema da lealdade dos marroquinos nascidos na Holanda é um ponto controverso no país. O ex-jogador da seleção Rafael van der Vaart, agora um comentarista de ⁠televisão que não mede as palavras, causou polêmica em março com comentários sobre os jogadores nascidos na Holanda que optam por defender Marrocos.

"Não quero ser rude, mas todos os marroquinos aqui que não são bons o suficiente para jogar pela Holanda acabam jogando por Marrocos. Só o (Hakim) Ziyech — eu gostaria de tê-lo tido na seleção naquela época", disse.

A expectativa é que haja um apoio visível a Marrocos nas cidades holandesas, o que pode acirrar as tensões.

Torcedores marroquinos já estiveram nas ruas holandesas durante o torneio comemorando o sucesso da sua seleção. Neste sábado, a polícia fez um apelo por calma em torno da partida, que terá início às 3h da manhã da próxima terça-feira na Holanda.

Quem ganhar avança à partida de oitavas de final que será disputada em Houston, em 4 de julho, contra o vencedor do confronto de domingo entre Canadá e África do Sul, em Los Angeles.

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