Em busca de sua primeira Bola de Ouro em 2026, Kylian Mbappé defendeu seu merecimento com base no desempenho individual, destacando a artilharia nos principais torneios, 58 gols na temporada e o recorde de 22 gols em Copas do Mundo. O atacante do Real Madrid enfrenta forte concorrência de Lamine Yamal e Harry Kane, e afirmou que pretende dedicar a conquista à África por suas origens familiares. O francês também celebrou a chegada do técnico Zinedine Zidane ao comando da seleção nacional.
Kylian Mbappé passou a disputar a Bola de Ouro pela primeira vez em 2017, somando ao todo nove indicações, incluindo a deste ano. Entretanto, ele nunca venceu o prêmio organizado pela revista France Football. Sua melhor colocação até então foi um terceiro lugar em 2023. O atacante afirma que ganhar o troféu não chega a ser uma "obsessão", mas reconhece que ficaria desapontado caso não vencesse esse ano.
"Acho que é um objetivo para qualquer jogador, para qualquer competidor. Mas uma obsessão? Não, não acho (...) Como eu disse, um competidor sempre fica desapontado quando não ganha. A partir desse ponto, acho que meu espírito competitivo será afetado. Mas então, veremos como as coisas se desenrolam", disse em entrevista ao repórter da RFI, Olivier Pron, em Madri, na Espanha.
Na corrida pela Bola de Ouro 2026, o atacante do Real Madrid tem a forte concorrência de grandes estrelas, como Lamine Yamal, campeão do mundo com a Espanha, e do inglês Harry Kane, um dos favoritos, campeão alemão com o Bayern de Munique, marcando 73 gols na temporada.
Mbappé reconhece que a disputa pelo prêmio de 2026 "está em aberto", mas se mostra confiante e acredita que merece vencer a premiação por seu desempenho individual pelo clube e pela seleção francesa.
"Tive um ótimo ano individualmente, e sei que esse é o critério mais importante para a Bola de Ouro. Fui o artilheiro em todas as principais competições, e acho que este pode ser um bom ano para mim. Tenho um bom pressentimento", avalia.
"Nunca quis agradar a todos"
Os números reforçam o argumento do francês. Mbappé fez 58 gols e deu 14 assistências na temporada 2025/2026. Apesar de não ter conquistado nenhum título, fez uma grande Copa pela França, terminando como artilheiro da competição e se tornando o maior goleador da história dos Mundiais, com 22 gols. Feito que define como "incrível" e um dos maiores de sua carreira.
"Na Bola de Ouro, eles não anunciam uma seleção no envelope, mas sim um jogador. Então é um troféu individual, e acho que isso é o que deveria ter prioridade sobretudo. Depois disso, claro, não se deve apagar todo o resto, mas a capacidade de jogar individualmente e deslumbrar o público é o que impressiona as pessoas na conquista de um troféu como esse", reforça Mbappé.
Recentemente, o atacante afirmou à revista France Football que "não havia ninguém melhor do que eu na temporada passada" e que "sempre" foi "o escolhido". As fortes declarações causaram surpresa no mundo do futebol, principalmente considerando que o vencedor da última edição da Bola de Ouro foi seu compatriota Ousmane Dembélé. À RFI, Mbappé disse não se importar com eventuais polêmicas em relação ao que disse.
"Na França, há muitas coisas que chocam as pessoas, e eu não tenho problema com isso. Nunca quis agradar a todos, porque é impossível. Mas não consigo ser outra pessoa. Não vou tentar aprender a ser outra pessoa. Tento ser eu mesmo, com meus pontos fortes e fracos, com meus sucessos e fracassos. E sigo em frente assim", comenta.
"Não rompi com minhas origens"
Nascido na França, o atacante também reforçou durante a entrevista suas raízes africanas, por parte de sua mãe, de origem argelina, e de seu pai, de origem camaronesa. Por conta dessa ligação, ele revelou que gostaria de dedicar a Bola de Ouro à África, caso vença o prêmio.
"São as minhas origens. Sempre fui criado com a cultura africana, mesmo tendo nascido na França e vivido tudo lá. Nunca rompi minha conexão com minhas raízes e minhas origens. Acho importante porque faz parte de quem você é e dos valores que você aprende. Voltei a Camarões recentemente. Costumava ir para lá quando era criança e foi uma época maravilhosa. Sempre que vou à África, sou extremamente bem recebido. Sinto o amor das pessoas e é realmente gratificante sentir o apoio de todo um continente".
"Sempre me senti muito amado cada vez que pisei em solo africano (...) Agradeço-lhes por tudo e espero poder sair com a Bola de Ouro para poder dedicá-la a eles de alguma forma", projeta Kylian Mbappé.
Zidane e seleção francesa
Na seleção francesa, o atacante agora será comandado pela lenda Zinedine Zidane, que substitui Didier Deschamps, treinador dos Bleus por 14 anos. Mbappé agradeceu a Deschamps, campeão com a França em 2018, e se disse "ansioso" para iniciar o trabalho com Zidane.
"Antes de mais nada, temos que dar o devido crédito: o que Didier Deschamps fez com a seleção francesa é incrível. Ele fez história e recolocou a seleção francesa no lugar que lhe pertence. Por isso, seremos eternamente gratos a ele. Agora, é um novo capítulo com um novo treinador (...) Mas estou ansioso para chegar a Clairefontaine [centro de treinamento da seleção francesa] para entender de verdade o que ele (Zidane) espera de nós como equipe e de mim como jogador, e veremos como as coisas se desenrolam", concluiu.
Com Mbappé convocado, a França de Zidane vai estrear na Liga das Nações na sexta-feira (25), às 15h45 (de Brasília). A equipe ainda fará mais três jogos pela competição, até 5 de outubro, quando se encerra esta data Fifa.
Perguntas sobre a eleição presidencial francesa, a governança da Fifa e a crise migratória em Ceuta, enclave espanhol na fronteira com Marrocos, foram recusadas pela equipe de Kylian Mbappé.