Lesão grau 2 na panturrilha: entenda o quadro de Neymar e prazo de retorno aos gramados

Camisa 10 teve confirmada uma lesão muscular moderada na panturrilha direita; especialista explica a gravidade do diagnóstico, o tempo estimado de recuperação e o cenário para a Copa do Mundo

28 mai 2026 - 15h07
(atualizado às 15h07)

A preocupação envolvendo Neymar e a Copa do Mundo ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 28. Depois de inicialmente ter sido diagnosticado com um edema, o camisa 10 teve confirmada uma lesão muscular grau 2 na panturrilha direita. A seleção brasileira, inclusive, pretende monitorar a evolução clínica do atacante até 12 de junho, um dia antes da estreia contra o Marrocos.

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O atacante já está fora dos amistosos contra Panamá, neste sábado, 31, no Maracanã, e Egito, em 6 de junho, em Cleveland. A participação na estreia do Mundial também é vista internamente como improvável. O objetivo passa a ser recuperar o jogador sem acelerar etapas, de olho especialmente na sequência da fase de grupos.

Mas, afinal, o que significa uma lesão grau 2 na panturrilha? Quanto tempo costuma levar a recuperação? E o diagnóstico muda o cenário do atacante para a Copa? O Estadão ouviu o médico ortopedista, traumatologista e especialista em medicina do esporte Dr. Miller Assis para entender o caso.

O que significa uma lesão grau 2 na panturrilha?

Segundo Dr. Miller, a classificação mais tradicional divide as lesões musculares em três níveis: grau 1 (leve), grau 2 (moderada) e grau 3 (grave).

No caso de Neymar, o diagnóstico confirmado coloca o atacante em uma faixa intermediária de gravidade, já diferente de um simples edema muscular.

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Ele detalha que uma lesão grau 1 costuma envolver um dano pequeno, com acometimento de até cerca de 5% das fibras musculares. Já o grau 2 representa um cenário mais relevante.

Na prática, a panturrilha — formada principalmente pelos músculos gastrocnêmio e sóleo — é extremamente exigida em ações constantes do futebol, como acelerações, desacelerações, mudanças bruscas de direção, saltos e arrancadas. Por isso, um problema na região costuma acender alerta imediato em atletas de elite.

O diagnóstico confirmado também ajuda a diferenciar o quadro atual do edema inicialmente divulgado. Embora atletas convivam frequentemente com microlesões e inflamações musculares decorrentes do esforço intenso, a constatação de uma lesão grau 2 indica um dano muscular estabelecido e mais significativo.

Neymar pode jogar a estreia da Copa? Qual é o prazo de retorno?

Pensando no calendário da seleção — amistosos em 31 de maio e 6 de junho e estreia na Copa marcada para 13 de junho — o cenário é apertado.

De acordo com Dr. Miller Assis, o tempo habitualmente observado pela literatura médica para uma lesão muscular grau 2 na panturrilha gira em torno de duas a três semanas. Por isso, o especialista considera praticamente impossível a presença do camisa 10 nos amistosos preparatórios.

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"Para os amistosos, com toda certeza, o Neymar não vai estar disponível, ele vai estar no meio da sua recuperação", afirma.

Já para a Copa, a análise exige mais cautela. Embora exista uma janela temporal próxima do limite mínimo de recuperação, o especialista avalia que o retorno dependerá da resposta diária ao tratamento e do acompanhamento da equipe médica.

Nesse cenário, a segunda partida da fase de grupos, diante do Haiti, em 19 de junho, aparece como uma possibilidade mais plausível do que a estreia contra o Marrocos.

Dr. Miller ainda ressalta que Neymar está cercado por uma estrutura de alto nível na recuperação, liderada pelo médico Rodrigo Lasmar, referência da medicina esportiva brasileira.

"Ele está amparado pela melhor equipe que poderia existir hoje no Brasil por esse retorno", pontua.

Afinal, o prazo começa a contar do edema ou da lesão confirmada?

Uma das dúvidas que surgiram após o novo diagnóstico envolve justamente a contagem do prazo de recuperação.

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Em nota oficial, o Santos informou que o período inicialmente estimado de duas semanas começou a contar no dia 17, data da lesão, e terminaria neste domingo, dia 31. O clube também afirmou estar alinhado com o cronograma definido pela equipe médica da CBF.

Segundo Dr. Miller, porém, o corpo humano não funciona de maneira estática — e um quadro inicialmente interpretado como edema pode evoluir ao longo dos dias.

"Nós temos que pensar no corpo humano não como uma estática, não como um motor de um carro. Essas microlesões são inerentes à atividade que ele pratica, seja treino ou jogo. Só que isso não é estático. De repente, essas microlesões não conseguiram recuperar no prazo ideal e a gente teve uma lesão maior constatada", explica.

Do ponto de vista médico, o especialista em predição de lesões considera como marco zero da recuperação — o chamado "D0" — o momento em que o exame de imagem confirma a lesão muscular.

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Com isso, na avaliação do médico, a contagem mais segura passaria a considerar a confirmação feita agora, após a ressonância magnética.

Se essa lógica for aplicada, o início da Copa pode encontrar Neymar ainda em processo final de recuperação, o que reforça a tendência de cautela da comissão técnica.

Enquanto isso, a seleção seguirá avaliando o quadro diariamente até o dia 12 de junho, quando definirá se Neymar terá ou não condições de disputar a Copa do Mundo. O camisa 10 vai realizar o tratamento da lesão grau 2 na panturrilha direita integrado ao elenco que se prepara para a competição e viajará aos Estados Unidos na próxima segunda-feira, dia 1º, salvo algum agravamento do quadro atual.

A prioridade é equilibrar recuperação e performance, evitando um retorno precipitado que possa aumentar o risco de nova lesão durante o Mundial.

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