A seleção italiana vive uma das maiores crises de sua história. Depois de ficar de fora da Copa do Mundo de 2026 pela terceira edição consecutiva, a Azzurra passou por uma sequência de mudanças nos bastidores, que começou com a saída do técnico Gennaro Gattuso e do chefe de delegação Gianluigi Buffon, avançou para a renúncia do presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC) e chegou à reformulação do departamento técnico, com as contratações de Paolo Maldini e Leonardo.
A negociação, contudo, sofreu uma reviravolta. A cúpula da FIGC decidiu barrar o acerto após ganhar força a repercussão sobre o vínculo comercial de Pirlo com a Fon Fonbet, uma empresa de apostas russa da qual o ex-jogador era embaixador.
A decisão provocou uma crise interna. Maldini e Leonardo teriam entendido que a intervenção da presidência da federação representava uma quebra da autonomia prometida quando aceitaram os cargos.
Maldini e Leonardo deixam a FIGC
O impasse terminou com a saída dos dois dirigentes. Após uma reunião considerada tensa, Maldini e Leonardo colocaram os cargos à disposição e abandonaram o projeto apenas 16 dias depois do anúncio oficial.
A dupla teria ficado especialmente insatisfeita com o fato de uma decisão esportiva tomada por eles ter sido desautorizada pela direção da federação.
A saída abriu uma nova frente de incerteza na seleção, que perdeu justamente os responsáveis pela montagem do projeto de reconstrução e voltou a procurar um técnico em meio à instabilidade administrativa.
E agora?
Com as saídas de Maldini e Leonardo em meio à crise envolvendo a escolha do novo treinador, a FIGC passou a avaliar outros nomes para o comando da seleção. Thiago Motta ganhou força entre os cotados após as recusas de Carlo Ancelotti e Pep Guardiola e o veto à contratação de Andrea Pirlo. O ítalo-brasileiro está sem clube desde que deixou a Juventus, em março de 2025, e já havia se destacado pelo trabalho no Bologna.
Motta é visto como um nome que mantém algumas características do projeto pensado inicialmente pela direção esportiva, com preferência por um futebol ofensivo e de controle da posse de bola. Questionado sobre a possibilidade de o treinador assumir a Azzurra, o presidente da FIGC, Giovanni Malagò, evitou confirmar ou descartar a candidatura.
"Agora não posso dizer nem sim, nem não, a respeito de qualquer nome". O dirigente afirmou ainda que a federação deve apresentar novidades sobre o novo técnico nesta terça-feira, 28.
Enquanto a FIGC tenta encontrar uma solução para a sucessão de Gennaro Gattuso, a seleção italiana segue sob o comando interino de Silvio Baldini. A equipe tem compromissos previstos para o fim de setembro, contra Bélgica e Turquia, pela Liga das Nações da Uefa, o que aumenta a pressão para que a entidade defina o novo treinador nas próximas semanas.
A federação também trabalha na recomposição de sua estrutura esportiva. Giorgio Chiellini, ex-zagueiro da seleção e atualmente ligado à Juventus, é apontado como um dos nomes avaliados para ocupar a função deixada por Maldini.
Assim, a Itália tenta reorganizar uma seleção que, em pouco tempo, passou da frustração de uma terceira ausência consecutiva em Copas para uma crise que atingiu também os bastidores da federação. A definição do novo técnico e da nova estrutura será o primeiro passo para tentar reconstruir a Azzurra.