A demissão de Fernando Diniz após derrota para o Internacional expôs a crônica instabilidade do Corinthians, que busca seu 20º técnico desde 2016. Em crise e na 16ª colocação do Brasileirão após sete derrotas consecutivas e eliminações nas copas, o clube mantém uma rotatividade histórica no comando, interrompida apenas por Fábio Carille na década. A diretoria agora avalia novos nomes, visando uma estreia imediata no clássico contra o Palmeiras.
A demissão de Fernando Diniz, após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, na Arena Beira-Rio, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, voltou a expor um problema recorrente no Corinthians: a dificuldade do clube em manter trabalhos de longo prazo no comando técnico.
Com a saída de Fernando Diniz, o próximo treinador será o 20º a comandar o Corinthians desde 2016. A marca atravessa diferentes diretorias e projetos, mas mantém um ponto em comum: a falta de continuidade no trabalho.
A rotatividade começou após a saída de Tite, em 2016, para comandar a seleção brasileira. Cristóvão Borges assumiu, mas ficou poucos meses, antes de Oswaldo de Oliveira também ter uma passagem curta.
Fábio Carille foi a exceção na década
A primeira tentativa de interromper o ciclo veio com Fábio Carille. Promovido após trabalhar como interino, o treinador assumiu definitivamente em 2017 e construiu o período mais consistente de um técnico do Corinthians nesta década.
Fábio Carille conquistou o Campeonato Brasileiro de 2017 e os Campeonatos Paulistas de 2017 e 2018. A passagem, porém, terminou em maio de 2018, quando aceitou uma proposta do Al-Wehda, da Arábia Saudita.
O clube passou então por Osmar Loss e Jair Ventura até a temporada seguinte, quando Fábio Carille retornou. Em 2019, conquistou novamente o Paulista, mas acabou demitido em novembro após uma sequência de oito partidas sem vitória.
Corinthians acumulou mudanças no comando
A partir de 2020, a alternância ganhou ainda mais força. Tiago Nunes, por exemplo, começou a temporada com a missão de modificar o estilo de jogo, mas deixou o cargo após resultados abaixo das expectativas.
Vagner Mancini saiu em 2021, e Sylvinho assumiu na sequência, levando o Corinthians ao quinto lugar do Brasileirão. Após sua saída, Vítor Pereira chegou à final da Copa do Brasil, mas deixou o clube no fim de 2022.
De Fernando Lázaro a Fernando Diniz
A instabilidade aumentou em 2023. Fernando Lázaro iniciou o ano, Cuca ficou poucos dias e pediu demissão, enquanto Vanderlei Luxemburgo deixou o cargo em setembro. Mano Menezes encerrou a temporada, mas saiu em fevereiro de 2024.
António Oliveira teve uma passagem igualmente curta. Ramón Díaz assumiu posteriormente e conseguiu reorganizar a equipe, afastando o Corinthians da zona de rebaixamento e levando o clube à disputa da Pré-Libertadores de 2025.
Mesmo com o título paulista sobre o Palmeiras, Ramón Díaz deixou o cargo em abril. Dorival Júnior assumiu, conquistou a Copa do Brasil e a Supercopa, mas também foi demitido após uma sequência de nove partidas sem vitória.
Fernando Diniz foi contratado em 6 de abril, chegou a liderar seu grupo na Libertadores, mas não conseguiu sustentar o trabalho. O Corinthians caiu nas quartas de final da competição continental, nas oitavas da Copa do Brasil e entrou em queda no Brasileirão.
Desde 9 de agosto, quando venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 0, o time não voltou a ganhar. A sequência de sete derrotas fez o Corinthians despencar da sétima para a 16ª colocação do Campeonato Brasileiro.
Agora, Ramón Díaz e Sylvinho aparecem entre os nomes avaliados pela diretoria, mas ainda sem negociação concluída. O próximo treinador terá pouco tempo para trabalhar: o primeiro desafio será o Palmeiras, neste domingo, dia 11, às 17h30, pelo Campeonato Brasileiro.