Paulo Sérgio escreveu seu nome na história de times como Bayern de Munique, Bayern Leverkusen e Corinthians, mas viveu o auge da carreira com a amarelinha. O ex-atacante fez parte da Seleção Brasileira que conquistou o tetracampeonato mundial em 1994.
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Como todo campeão mundial, o camisa 18 do tetra não escapou de responder o grande questionamento feito pelos brasileiros nos últimos meses: se tivesse poder de escolha, levaria ou não Neymar para a Copa do Mundo? A resposta veio em tom bem-humorado: “Lógico que levaria, senão seria massacrado.”
Apesar da brincadeira, Paulo Sérgio sabe dos fatores que pesam a favor e contra o craque do Santos no momento. “É lógico que todos gostaríamos de ver o Neymar novamente em uma Copa do Mundo, mas sabemos também das dificuldades. Nós sabemos e entendemos que hoje você tem que estar no ápice da sua forma para uma Copa do Mundo. É lógico que o Neymar é um jogador diferenciado, um jogador que tem experiência e a experiência pode valer muito nessas horas.”
Com ou sem Neymar, o ex-atacante entende que o momento é de dar confiança a garotos que têm se destacado no futebol europeu, seja pensando no hexacampeonato em 2026 ou no próximo ciclo.
“Tem jogadores que podem somar bastante. O Endrick entrou muito bem no último amistoso, o Rayan também é um jogador muito promissor. Creio que também é o momento de nós observarmos os jogadores para a próxima Copa do Mundo e trazer a esses jogadores uma experiência única que é disputar uma Copa”, afirma.
Mesmo que saiba da importância de olhar para o futuro e do descrédito da Seleção Brasileira perante o torcedor, Paulo Sérgio não deixa de sonhar com o título mundial, a exemplo de outras gerações criticadas.
“Vimos um jogo contra a França que está muito longe daquilo que esperamos do Brasil, mas eu lembro da história. Já entrevistei o Rivelino e ele falou que em 70 a seleção chegou muito desacreditada. Estamos falando de uma seleção que tinha Pelé, que tinha jogadores como Jairzinho, Rivelino. Em 94, também saiu criticada. Em 2002, também a mesma coisa. Então, creio que quando a Seleção Brasileira sai criticada do País, os jogadores dão uma reviravolta e eu espero isso, que eles possam mostrar um futebol coletivo, competitivo e o povo brasileiro possa se divertir nessa Copa do Mundo”, projeta.
O tetracampeonato de 1994
Como bem disse, Paulo Sérgio viu de perto a pressão exercida sobre a Seleção Brasileira que embarcou para o Mundial de 1994, também nos Estados Unidos. Assim como a geração atual, os atletas que conquistariam o tetra chegaram ao Mundial diante de um jejum de 24 anos sem levantar o troféu.
Entre os 22 jogadores incumbidos por Carlos Alberto Parreira para encerrar a seca de títulos, Paulo Sérgio esteve entre os reservas e entrou em campo em duas partidas. Ainda assim, ele recorda de sua importância no momento crucial do Mundial.
Nas oitavas de final, o Brasil teve contra os Estados Unidos aquele que pode ser considerado o duelo mais tenso da conquista do tetra. Em pleno feriado da Independência americana, a Canarinho começou mal contra os donos da casa e teve Leonardo expulso no primeiro tempo.
Com a tensão do momento e o medo da eliminação, coube a Paulo Sérgio reerguer o astral dos companheiros de equipe: “Lembro que cheguei no vestiário, comecei a conversar e falei: ‘Nós vamos ganhar’. Até citei um versículo bíblico de Gideão, que tinha 32 mil homens na mão. Deus falou: ‘não, esse povo que está com você é demais’. E aí, no final, ele foi com 300, ou seja, tinha 32 mil na mão, mas foi para a guerra com 300 e ganhou aquela guerra”.
Para o ex-atacante, o clima virou após a conversa e a história todo mundo conhece. Com passe de Romário, Bebeto marcou o gol que deu a classificação brasileira às quartas de final.
“E ali, com um jogador a menos, nós entramos no segundo tempo com uma outra mentalidade, com uma outra cabeça e conseguimos ganhar de 1 a 0 dos Estados Unidos, dia da independência dos Estados Unidos. Foi um momento muito histórico, foi um momento único e isso eu guardo como uma lembrança para marcar mesmo essa questão de superação e aquela equipe teve muita superação”, completa.