A Seleção Brasileira de Futebol Feminino foi convocada nesta quarta-feira (25) para a disputa do Fifa Series 2026.
A lista divulgada pelo técnico Arthur Elias, porém, ganhou destaque por incluir a atacante Giovana Queiroz, conhecida como Gio Garbelini, envolvida recentemente em uma acusação de injúria racial no futebol espanhol.
A jogadora do Atlético de Madrid foi alvo da ativação do protocolo antirracismo durante a semifinal da Copa da Rainha, em partida contra o Granadilla Tenerife. O episódio ocorreu aos 44 minutos do segundo tempo e levou à paralisação do jogo por cerca de cinco minutos.
Segundo o relato da arbitragem, a acusação partiu da goleira Noelia Ramos, que informou que Gio teria se dirigido à zagueira Fatou Dembele utilizando o termo "negra".
Nenhuma integrante da equipe de arbitragem ouviu a suposta ofensa, mas, ainda assim, o protocolo foi acionado, seguindo as diretrizes rigorosas da Real Federação Espanhola de Futebol.
De acordo com a súmula, houve confusão no túnel de acesso aos vestiários, com envolvimento de atletas das duas equipes, exigindo intervenção para evitar escalada do conflito.
A federação espanhola deve analisar imagens e depoimentos antes de decidir por eventuais punições, que podem incluir suspensão e multa.
Mesmo diante da gravidade da acusação, Arthur Elias optou por manter a atacante entre as 26 convocadas para o torneio amistoso internacional, e revelou que conversou diretamente com a atleta e avaliou imagens do lance antes de tomar a decisão.
Segundo ele, o episódio teria ocorrido em um momento anterior à confusão generalizada, dentro da área, e não no instante da discussão que levou à expulsão de uma jogadora adversária.
O técnico também destacou que Gio afirma não ter utilizado qualquer expressão de cunho racista e que houve, na verdade, um desentendimento comum de jogo, no qual ela própria teria sido agredida.
Arthur Elias ressaltou ainda a ausência de manifestações posteriores por parte do Tenerife e das jogadoras envolvidas na acusação, além do apoio recebido pela brasileira dentro do próprio Atlético de Madrid, fatores que, somados ao histórico da atleta, pesaram para sua decisão.
"É uma acusação muito séria, que precisa ser investigada com responsabilidade. Mas, com base no que apuramos, na palavra da jogadora e nas imagens analisadas, entendemos que ela merece estar na Seleção", indicou o comandante.
Giovana Queiroz nega qualquer ofensa racial e, segundo o treinador, busca que o caso seja esclarecido de forma definitiva, além de ter manifestado o desejo de que a acusação não fique sem consequências, caso seja comprovada a inconsistência da denúncia.
De acordo com Arthur Elias, a jogadora tem sofrido com a repercussão, mas segue treinando normalmente e mantendo bom desempenho.
A Seleção Brasileira se prepara para o Fifa Series, torneio amistoso promovido pela entidade máxima do futebol que será disputada no Brasil, com jogos na Arena Pantanal, em Cuiabá. A equipe enfrentará a Coreia do Sul no dia 11 de abril, a Zâmbia no dia 14 e encerra sua participação diante do Canadá, no dia 18.