Desde que assumiu a Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti nunca repetiu uma escalação titular, alternando formações devido a testes táticos e frequentes lesões no elenco. Embora nomes como Casemiro, Vinicius Júnior e Bruno Guimarães formem uma espinha dorsal de confiança com alta minutagem, as constantes mudanças em outros setores mostram que o treinador italiano ainda busca o onze ideal e o equilíbrio da equipe, processo que continua em andamento mesmo após a disputa da Copa do Mundo.
Desde que assumiu o comando da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti ainda não conseguiu repetir um onze inicial. O treinador italiano tem apostado em diferentes formações, promovido experiências e lidado com ausências por lesão.
Mesmo com alguns jogadores a ganharem maior protagonismo, a Amarelinha continua sem uma equipa titular definida sob o comando de Carletto. O levantamento dos jogos disputados pelo Brasil desde a chegada do técnico mostra uma tendência clara: nenhuma das escalações iniciais foi repetida.
A rotatividade começou logo nos primeiros compromissos e manteve-se ao longo do trabalho do treinador italiano, incluindo a preparação para a Copa do Mundo e os amistosos posteriores à competição.
O cenário ajuda a perceber por que razão Carlo Ancelotti ainda procura uma formação capaz de dar continuidade ao seu projeto. O treinador já identificou algumas peças importantes, mas continua a testar alternativas em diferentes posições.
Casemiro, Vinicius Júnior e Bruno Guimarães são os mais utilizados
Apesar da ausência de um onze fixo, alguns nomes aparecem com frequência nas escolhas de Ancelotti. Casemiro é o jogador que mais vezes começou uma partida como titular nos primeiros 11 jogos do italiano, com dez aparições. Vinicius Júnior e Bruno Guimarães surgem logo atrás, ambos com nove.
Marquinhos e Estêvão também tiveram presença relevante, com sete titularidades cada um. O goleiro Alisson, por sua vez, começou seis partidas. Os números mostram que existe uma base de jogadores com maior confiança do técnico, embora essa preferência ainda não tenha resultado numa formação repetida.
A situação é diferente quando se observa o restante elenco. As mudanças nas laterais, na defesa e no setor ofensivo foram frequentes. Ancelotti procurou soluções para diferentes contextos e deu oportunidades a jogadores que ainda tentavam conquistar espaço na Seleção.
Lesões também condicionaram as escolhas
As alterações não podem ser explicadas apenas por decisões técnicas. As lesões tiveram peso importante na construção das escalações. Gabriel Magalhães, Alisson, Rodrygo, Éder Militão, Raphinha e Estêvão, entre outros, enfrentaram problemas físicos em diferentes momentos do ciclo.
Essas ausências obrigaram o treinador a procurar alternativas e impediram que algumas combinações ganhassem continuidade. Por outro lado, Ancelotti também aproveitou para observar jogadores menos utilizados, sobretudo quando o resultado ou o contexto da competição permitiam experiências.
O exemplo mais evidente surgiu na última rodada das Eliminatórias, contra a Bolívia. Com a classificação para o Mundial já encaminhada, o italiano promoveu alterações e deu espaço a outros nomes. A gestão do elenco, portanto, também ajuda a explicar a diversidade de escalações.
A procura continua depois da Copa do Mundo
A tendência não desapareceu com o fim da Copa do Mundo. Na nova etapa de preparação, Ancelotti voltou a testar jogadores e combinações. Nos dois amistosos contra a Austrália, por exemplo, o treinador apresentou formações bastante diferentes.
No primeiro encontro, apostou em nomes como Hugo Souza, Matheuzinho, Vitor Reis, Douglas Santos, Danilo Santos, Raphinha, Estêvão, Endrick e Vinicius Júnior. No segundo, promoveu sete alterações. Vanderson, Jair, Gabriel Magalhães, Mauro Júnior, Gabriel Bontempo e Rayan receberam oportunidades entre os titulares.
A movimentação indica que o treinador continua a avaliar opções e a procurar respostas para algumas posições. A chegada de novos jogadores ao grupo, como Alisson Santana, do Shakhtar Donetsk, também amplia o leque de alternativas disponíveis.
Ainda assim, a ausência de um onze repetido não significa que Ancelotti esteja sem uma ideia de jogo. A presença constante de Casemiro, Vinicius Júnior e Bruno Guimarães demonstra que há uma espinha dorsal em construção.
O desafio passa por encontrar os restantes elementos capazes de formar uma equipa equilibrada e manter um nível de rendimento consistente. No caso de Casemiro, o italiano deve procurar outro jogador com as mesmas funções e que apresente a mesma regularidade.
Até agora, porém, o italiano ainda não encontrou uma combinação que o tenha convencido a repetir integralmente a escalação. Com novos compromissos pela frente e mais jogadores a pedir espaço, a procura pelo onze ideal da Seleção Brasileira continua.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal