Com a proibição da publicidade de apostas, o Botafogo avalia o impacto do fim do patrocínio da Vbet. O clube já recebeu R$ 110 milhões fixos referentes a 2025 e 2026, recurso crucial para amenizar sua crise de liquidez. O maior risco reside em 2027, ano em que o clube pode deixar de arrecadar R$ 55 milhões fixos, montante que representava cerca de 37% de sua receita publicitária. Em recuperação judicial, o Botafogo precisará buscar um novo patrocinador para evitar pressão financeira futura.
O Botafogo corre contra o tempo para dimensionar o impacto financeiro da saída da Vbet. A casa de apostas ocupa o espaço máster do uniforme desde janeiro de 2025, quando substituiu a Parimatch após a aquisição da operação.
A Agência RTI Esporte apurou que o vínculo foi assinado por três temporadas, com término previsto para dezembro de 2027. O acordo estabeleceu pagamento de R$ 55 milhões por ano, podendo alcançar R$ 70 milhões com o cumprimento de metas.
Em seu desenho original, portanto, o contrato representava R$ 165 milhões em valores fixos ao longo de três anos. Porém, o cenário mudou depois da proibição das apostas de quota fixa e da publicidade relacionada ao setor.
O Botafogo já havia antecipado a receita prevista para 2026. A informação foi confirmada por diferentes relatos publicados em setembro, indicando que o clube recebeu antecipadamente os R$ 55 milhões correspondentes à temporada.
Quanto já entrou no caixa?
Considerando o valor anual do contrato, o Botafogo já recebeu cerca de R$ 110 milhões por 2025 e 2026. O valor é uma estimativa baseada na parcela fixa, pois os detalhes das parcelas não foram divulgados.
A antecipação de 2026 ganhou importância diante da crise de liquidez enfrentada pela SAF. Em 31 de julho, segundo o relatório da administração judicial citado no levantamento, havia cerca de R$ 4 milhões em caixa e aplicações, sem linha de crédito disponível.
O tamanho do impacto para o Botafogo
O problema está concentrado, principalmente, na receita prevista para 2027. Caso o contrato seja encerrado sem que o clube consiga substituir imediatamente o patrocinador, o Botafogo deixará de contar com R$ 55 milhões em receita fixa.
O valor poderia ser ainda maior se fossem consideradas as metas previstas no acordo. A dimensão fica mais clara quando comparada ao desempenho comercial de 2025. Naquele ano, o Botafogo registrou cerca de R$ 148 milhões em receitas de publicidade.
Assim, os R$ 55 milhões anuais da Vbet correspondiam a aproximadamente 37% de toda a receita publicitária do clube. O balanço de 2025 mostrou ainda faturamento bruto de R$ 1,4 bilhão, mas mais de R$ 733 milhões vieram da venda de jogadores.
O dinheiro já recebido não elimina o problema
A antecipação de 2026 reduz o impacto imediato da proibição, mas não resolve o problema estrutural para 2027. Em recuperação judicial, o Botafogo terá de buscar uma nova fonte de receita, tornando ainda mais relevante a substituição de um contrato de R$ 55 milhões.
A própria SAF reconheceu, em maio, que enfrentava severas restrições de caixa ao pedir recuperação judicial. Em agosto, a nova administração informou que trabalha na revisão de contratos e na reconstrução da estrutura financeira.
O prejuízo potencial, portanto, não está nos R$ 110 milhões já antecipados. O risco financeiro está principalmente nos R$ 55 milhões de 2027 — receita que o clube precisará substituir para evitar uma nova pressão sobre o caixa.