WEC: Ferrari quer fim do BoP nas regras de Hypercar para 2030

Coletta defende uma plataforma única e regulamentos que permitam maior liberdade técnica aos fabricantes, com intervenções mínimas do BoP.

6 nov 2026 - 10h34
(atualizado às 10h34)
Foto: Divulgação / Ferrari Hypercar

O chefe global de endurance da Ferrari, Antonello Coletta, defendeu que o Balance of Performance (BoP) deixe de fazer parte dos regulamentos da classe Hypercar do Mundial de Endurance (WEC) a partir de 2030. As regras da próxima geração estão em fase de definição e representam, segundo o dirigente, uma oportunidade para simplificar a categoria e reduzir as diferenças entre os atuais conceitos LMH e LMDh.

A proposta inicial apresentada durante as 24 Horas de Le Mans deste ano prevê a adoção de uma plataforma única, com todos os fabricantes utilizando carros de tração traseira. Os construtores poderão optar por uma estrutura completa desenvolvida por um fabricante registrado, acompanhada de componentes comuns, como o sistema híbrido, seguindo uma filosofia semelhante à dos atuais LMDh. A outra possibilidade será desenvolver o próprio chassi e sistema híbrido.

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Para Coletta, a unificação das plataformas permitiria estabelecer regulamentos mais claros e abrir caminho para uma competição baseada no mérito, sem a necessidade de ajustes constantes de desempenho. O dirigente acredita que a coexistência entre carros de tração integral e traseira, além das diferenças entre LMH e LMDh, foi um dos fatores que motivaram a criação do BoP.

“Estamos todos reunidos para definir uma plataforma única. Com isso, podemos escrever regras muito claras, e o objetivo final deveria ser eliminar o BoP. Se tivermos uma plataforma única, acredito que teremos uma excelente oportunidade de organizar os campeonatos com base na meritocracia, sem discussões a cada corrida sobre o BoP.”

A Ferrari já havia defendido o fim do sistema anteriormente, especialmente após as críticas ao modelo revisado introduzido em 2025. Coletta classificou a eliminação do BoP como um “sonho” para a marca italiana, mas reconheceu que os fabricantes possuem interesses diferentes e que será necessário encontrar um equilíbrio. A retirada do sistema, segundo ele, não é uma condição obrigatória para a permanência da Ferrari no WEC, embora exista uma exigência fundamental: a liberdade para desenvolver o próprio carro.

“Para nós, é obrigatório ter a possibilidade de construir o carro. A ideia da Ferrari é contar com uma plataforma única, regulamentos rigorosos e a oportunidade de desenvolver o veículo com nossos próprios recursos, sem compartilhar o câmbio, a eletrônica ou determinados componentes”, explicou. “Preferimos colocar nosso Cavallino na dianteira de um carro que seja uma Ferrari, e não de um veículo que tenha 80% de Ferrari e partes de outros fabricantes.”

O dirigente admitiu, entretanto, que a Ferrari poderia aceitar algum nível de intervenção do BoP, desde que fosse limitado.

“Se pudermos construir 100% do carro, veremos como ficará o BoP, ou um BoP reduzido. Nossa ideia é eliminá-lo completamente ou manter apenas uma pequena intervenção, não algo abrangente”, acrescentou.

Outro ponto defendido pela Ferrari é a possibilidade de manter a tração integral, tecnologia considerada relevante para os carros de rua da marca. Coletta, porém, reconheceu que a adoção obrigatória da tração traseira pode ser inevitável diante dos interesses dos demais fabricantes. A posição italiana é menos rígida que a da Toyota, cujo diretor global de automobilismo, Masaya Kaji, afirmou anteriormente que seria “doloroso aceitar” a perda da tração nas quatro rodas.

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“Para nós, faz sentido ter tração integral, porque os carros de rua estão caminhando nessa direção. Mas, quando estamos reunidos para discutir as regras, precisamos abrir mão de algumas coisas para conquistar outras. Para a Ferrari, seria provavelmente a melhor opção, mas, além de nós e outros dois fabricantes, isso não interessa ao restante. Está claro que seria complicado manter a tração integral nos regulamentos”, concluiu Coletta.

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