Quem acompanha a Fórmula 1 provavelmente já se deparou com imagens da Super Fórmula. Com carros visualmente semelhantes aos da F1 e etapas em alguns dos circuitos mais conhecidos do Japão, o campeonato reúne pilotos experientes e jovens talentos do automobilismo internacional.
A recente vitória do brasileiro Igor Fraga, da PONOS Nakajima Rancing, na etapa de Fuji, voltou a chamar a atenção dos fãs brasileiros para a competição. Mas, afinal, o que é a Super Fórmula e o que torna seus carros tão especiais?
A Super Fórmula é a principal categoria de monopostos do Japão e está entre as competições de carros de fórmula mais rápidas do mundo, atrás da Fórmula 1. Sua história começou em 1973, e o campeonato passou por diferentes nomes ao longo das décadas, como Fórmula 2, Fórmula 3000 e Formula Nippon, até adotar a denominação atual, em 2013.
A competição também já recebeu pilotos que ganharam destaque em outras categorias internacionais. Pierre Gasly, atualmente na Alpine, disputou a Super Fórmula em 2017 e terminou como vice-campeão. Liam Lawson, da Racing Bulls, foi vice-campeão em 2023, com três vitórias naquela temporada. Alex Palou, pentacampeão da IndyCar, também passou pela categoria em 2019.
Esses são alguns dos nomes que ajudam a mostrar o nível dos pilotos que já passaram pelo campeonato e a importância da Super Fórmula no cenário do automobilismo internacional.
Desde 2023, a categoria utiliza o Dallara SF23, um modelo desenvolvido para oferecer alto desempenho e eficiência aerodinâmica. As equipes utilizam a mesma base de chassi, embora possam trabalhar nos ajustes do carro para buscar o melhor rendimento.
O motor é um quatro cilindros de 2,0 litros, turboalimentado, fornecido pela Honda ou pela Toyota. A potência ultrapassa os 550 cavalos, permitindo acelerações fortes e velocidades elevadas.
Mas a potência não explica tudo. O peso do carro, os pneus e a aerodinâmica também influenciam diretamente o desempenho.
As asas e o assoalho são projetados para gerar pressão aerodinâmica, conhecida como downforce. Esse efeito ajuda o carro a manter a aderência nas curvas, permitindo que o piloto faça passagens rápidas sem perder estabilidade. Ao mesmo tempo, as equipes precisam equilibrar essa força com a resistência do ar, que pode limitar a velocidade nas retas.
A sustentabilidade também faz parte da evolução da categoria. Em 2026, a Super Fórmula passou a utilizar gasolina de baixo carbono E10, que contém 10% de etanol produzido a partir de biomassa celulósica misturado à gasolina. O combustível é fornecido pela ENEOS e utiliza etanol de origem nacional, desenvolvido com foco na redução das emissões associadas ao automobilismo. A iniciativa integra os esforços da categoria para tornar o automobilismo mais sustentável, sem abrir mão do desempenho nas pistas.
Para quem está começando a acompanhar a Super Fórmula, vale prestar atenção não apenas às ultrapassagens, mas também às estratégias das equipes, ao gerenciamento dos pneus e à forma como os pilotos aproveitam as características do carro.
Esses elementos ajudam a entender por que um piloto consegue ganhar posições ou manter um bom ritmo ao longo de uma corrida, mesmo quando as diferenças entre os carros são pequenas.
Com a temporada chegando ao fim no próximo mês, as últimas etapas estão previstas para acontecer nos dias 21 e 22 de novembro, em Suzuka, será uma oportunidade para acompanhar os pilotos e observar, na prática, as características que tornam a categoria tão competitiva.
Mais do que a semelhança com a Fórmula 1, a Super Fórmula tem uma trajetória própria e reúne características técnicas e desafios que merecem atenção. Conhecer seus carros é também uma forma de ampliar o olhar sobre o automobilismo e entender como engenharia, estratégia e habilidade dos pilotos se combinam dentro da pista.