O retorno da MotoGP ao Brasil, após mais de duas décadas, não será marcado apenas pela disputa em pista. Em Goiânia, o pódio do Grande Prêmio também carrega um elemento simbólico: a tentativa de conectar a principal categoria da motovelocidade mundial à identidade local do cerrado goiano.
Os troféus que serão entregues aos três primeiros colocados da MotoGP, Moto2 e Moto3 neste domingo (22), no Autódromo Ayrton Senna, foram concebidos com referências diretas à fauna e às cores do Brasil. O destaque é a presença da coruja-buraqueira, espécie típica da região, integrada ao desenho inspirado na carenagem frontal das motos.
A proposta, segundo o designer Allan Alves, foi equilibrar dois universos: a agressividade visual das máquinas e o ambiente em que a corrida acontece. “Procurei traduzir a presença marcante de uma moto na pista, mas sem esquecer o espaço onde a corrida vai acontecer: o cerrado”, afirmou.
Produzidos pelo estúdio Custom Lab, os troféus têm cerca de 39 centímetros de altura e pesam aproximadamente 2,5 quilos. A estrutura é feita em resina com pó de alumínio, enquanto o acabamento varia conforme a posição no pódio — ouro, prata e bronze. O preto fosco predomina, com detalhes em verde, azul e amarelo.
Apesar do discurso que valoriza a identidade regional, a iniciativa também dialoga com uma tendência recorrente em grandes eventos esportivos: a criação de símbolos visuais que reforcem a singularidade de cada etapa no calendário global. No caso brasileiro, a escolha do cerrado e de um animal típico busca diferenciar a prova em meio a circuitos tradicionalmente mais associados à Europa e à Ásia.
Allan Alves, que já trabalhou por mais de uma década em equipes de pista e participou do desenvolvimento do troféu do GP de São Paulo de Fórmula 1 em 2021, estreia agora na motovelocidade. A experiência anterior ajuda a explicar a aproximação estética com o universo das corridas, embora o desafio, desta vez, tenha sido inserir elementos culturais sem comprometer a linguagem esportiva.