Le Mans: Shelby Cobra Daytona Coupe, primeiro ‘matador de Ferraris’, é vendido por preço recorde

Shelby Cobra Daytona Coupe foi vendido por preço recorde entre carros americanos; modelo foi o primeiro ‘matador de Ferraris’ em Le Mans

17 ago 2026 - 14h34
Foto: Divulgação / Gooding Christie's

O Shelby Cobra Daytona Coupe, lendário modelo americano e primeiro a superar a Ferrari entre os carros GT em Le Mans, quebrou neste fim de semana o recorde de veículo americano mais caro já vendido em leilão. O chassi CSX 2300 foi arrematado por impressionantes US$ 42,905 milhões em leilão da Gooding Christie’s em Monterey, superando em muito a expectativa inicial de US$ 25 milhões. Com isso, tornou-se também o quinto carro mais caro já negociado na história.

Foram produzidos apenas seis chassis do Daytona Coupe. A ideia era criar uma versão fechada do Cobra para enfrentar a Ferrari 250 GTO, que dominava o cenário na época. O design foi obra de Peter Brock, inspirado em estudos alemães de aerodinâmica dos anos 1930, junto com o motor 4.7L V8 da Ford. Ele contou com o apoio de Ken Miles, que ajudou a convencer Carroll Shelby a manter o projeto, apesar da resistência inicial.

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Com recursos limitados, já que a equipe ainda não contava com apoio direto da Ford, Brock conseguiu desenvolver um carro revolucionário. Apesar dos problemas mecânicos em Daytona e Sebring, foi em Le Mans 1964 que o Daytona Coupe brilhou. Pilotado por Dan Gurney e Bob Bondurant, terminou em quarto lugar no geral e venceu na classe GT, superando a Ferrari de Lucien Bianchi (tio-avô de Jules) e Jean Blaton. Foi a primeira vez que a marca italiana perdeu na categoria desde sua inclusão na prova, em 1959. O resultado tornou-se um marco histórico, provando que era possível derrotar os até então invencíveis carros da Ferrari, que não haviam sido batidos em nenhuma das duas classes desde 1960, se tornando o primeiro 'matador de Ferraris'. 

A vitória chamou a atenção de Henry Ford II, que passou a ver Shelby como peça-chave no projeto do GT40. O carro havia fracassado em sua primeira tentativa contra a Ferrari, mas com o envolvimento de Shelby, a história mudou. Em 1965, problemas de câmbio impediram a conquista, mas em 1966 a Ford finalmente triunfou em Le Mans, iniciando sua lendária vingança contra a Ferrari após a frustrada negociação de compra em 1963. Sem o sucesso do Daytona Coupe em 1964, talvez essa virada nunca tivesse acontecido.

O chassi CSX 2300 estreou na última etapa do FIA GT de 1964, em 1965, continuou sendo utilizado, correndo em Sebring, Nurburgring e Reims, ajudando a equipe a conquistar o título naquele ano. Em 1966, foi vendido para um comprador no Japão, Tadashi Sakai, que participou de cinco corridas no pais, vencendo duas delas, após isso, o carro foi revendido novamente para Shelby, que restaurou o modelo e venceu novamente, o carro passou por várias mãos, até chegar em  Larry Bowman, que ficou com o carro por duas décadas. A indentidade do novo comprador não foi revelada.

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